A prática do catfish e seus perigos

Enviada em 22/09/2022

O quadro “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, exprime o medo e a agonia refletidos no semblante de uma pessoa. Para além da obra, vê-se que no cenário brasileiro atual, o sentimento de milhões de pessoas assolados pelos perigos gerados pela prática do “catfish” é, regularmente, análogo ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais a indiligência do Estado e o descaso da população.

A priori, é fulcral notar que a negligência governamental potencializa a realização contínua do “catfish” e suas devastadoras consequências. Essa baixa atuação das esferas de poder exemplifica a fala do sociólogo polonês Zygmunt Baumann, o qual diz que a sociedade caminha para uma desordem mundial causada pela falta de controle do Estado. Nesse sentido, para a mudança dessa realidade, faz-se necessária uma intervenção estatal.

Outrossim, destaca-se a indiferença da sociedade como impulsionadora dos problemas gerados por essa fraudação de perfis na “internet”. Segundo a teórica política Hannah Arendt em sua obra “Eichmann em Jerusalém”, a banalidade do mal reflete o processo de padronização do corpo social, o qual formou pessoas incapazes de realizar críticas morais, tornando-se alienadas e aceitando situações sem objetar. Partindo dessa perspectiva, a habitualidade dos indivíduos esconde os potenciais riscos, dentre os quais os danos emocionais e financeiros. Essa conjuntura contribui para que esse quadro perpetue no Brasil.

Infere-se, portanto, que são necessárias medidas capazes de atenuar as ameaças causadas pela atuação dessa fraude virtual. Para isso, é fundamental que o governo promova o combate deste golpe nas redes por meio de campanhas – as quais conscientizarão a população a respeito dos males dessa prática – a fim de evitar o agravamento desses casos no Brasil. Dessa forma, espera-se que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.