A prática do catfish e seus perigos

Enviada em 25/02/2022

Para Sartre, cabe ao ser humano escolher suas ações, pois é livre e responsável. Porém, a ação humana tem se mostrado irresponsável quanto à prática de “catfish”, já que os usuários da internet estão cada vez mais vulneráveis a perfis falsos, que tem o intuito de roubar dados de quem está fazendo uso das mídias sociais. Nesse contexto, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude de silenciamento e falta de legislação.

Nesse sentido, em primeiro plano, é preciso atentar a falta de discussão presente na questão. Analogamente, o documentário “O golpista do Tinder”, exibido pela rede de streaming Netflix, exemplifica como a invisibilidade sobre os golpes nas redes sociais podem acontecer, uma vez que a ausência de discussão sobre esse assunto transparece para quem faz o uso, que o aplicativo ou o site é totalmente seguro, quando na verdade os usuários estão vulneráveis aos mais diversos tipos de golpes, pois a pessoa desconhece quem está do outro lado. Assim, urge reverter a invisibilidade para atuar sobre a questão.

Além disso, outro fator influenciador é a lacuna legislativa. Segundo Umberto Eco, “para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável”. No entanto, tais limites não estão sendo fixados na criação de perfis falsos na internet, visto que a associação da facilidade de criar um perfil - seja ele “fake” ou não - nas redes sociais com a ausência de uma lei que criminalize diretamente, induz e incentiva o usuário mal-intencionado. Logo, sem base legal, ações de remediação são impossibilitadas.

Portanto, tais entraves precisam ser solucionados. Para isso a Anatel deve criar um projeto de lei, por meio de pesquisas públicas sobre a prática de “catfish”, a fim de reverter a falta de legislação. Tal ação pode, ainda ser divulgada pelas emissoras de televisão em canal aberto e pelas mídias sociais, para que chegue a mais pessoas. Paralelamente, é preciso intervir sobre o silenciamento presente no problema. Dessa forma, os usuários da internet no Brasil poderão exercer a responsabilidade defendida por Sartre.