A prática do catfish e seus perigos

Enviada em 18/03/2022

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro, prevê segurança como direito inerente a toda a população. Torna-se válido perceber, entretanto, que essa garantia nem sempre é assegurada, uma vez que a prática do “catfish” e seus perigos advém, sobretudo, do silenciamento midiático e da banalização desse problema. Nesse sentido, faz-se imprescindível remediar esse empecilho em prol da plena harmonia social.

Efetivamente, de acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse contexto, observa-se que a mídia, ao invés de promover debates que elevem o nível de informação do povo acerca da prática do catfish e seus perigos, infelizmente, influencia na persistência da desinformação, já que – em redes sociais, programas de tv– não há informações para os indivíduos. Consequentemente, muitas pessoas vivem situações humilhantes, por exemplo, vítimas de golpes e fraudes, o que pode ocasionar danos a saúde emocional e prejuízo financeiro.

Além disso, conforme o conceito de “Banalidade do Mal”, cunhado pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Desse modo, isso evidencia a irracionalidade em relação à prática do catfish e seus perigos, configurando a trivialização da maldade que, para Arendt, ocorre quando há falta de reflexão sobre os males ao redor dos indivíduos. Nesse viés, percebe-se que a população normalizou o sofrimento dos acometidos pela prática do catfish. Como consequência, isso tem gerado uma série de danos e julgamentos aos ludibriados.

Portanto, cabe ao governo instituir um comitê gestor formado por um representante de cada área – Ministério da Tecnologia e Informações, mídia e Direitos Humanos. Essa ação se dará por meio de maior direcionamento de verbas para o combate aos golpes na internet e para campanhas informativas e educativas acerca da prática do catfish e seus perigos, que devem ser exibidas em canais de televisão abertos. Isso será feito a fim de remediar não somente o silenciamento midiático, mas também a banalização desse embróglio.