A prática do catfish e seus perigos

Enviada em 14/04/2022

O filme “Confiar”, de 2010, retrata a história de Annie, uma garota que é estrupada após um encontro marcado pela internet. Fora da ficção, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à prática do catfish e seus perigos. Nesse sentido, situações como essas são um desafio no Brasil e persiste devido à falta de legislação, bem como ao silenciamento.

Sob essa ótica, é preciso atentar para a inexistência de leis presente na questão. Nesse contexto, segundo Umberto Eco " Para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável". Dessa forma, percebe-se uma lacuna, explicitada pela falta de uma legislação adequada, para mais, de acordo com Andressa Oliveira, da PMK Advogados, não tem uma lei que classifique o catfish como crime no Brasil, visto que não existe intenções criminosas na criação de perfis falsos nas redes sociais. Assim, sem base legal, ações de remediação são impossibilitadas, o que acaba por agravar ainda mais a questão.

Ademais, a falta de debate é um grande impasse para a resolução da problemática. Desse modo, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. À vista disso, para que um problema como a prática do catfish seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que refere-se a comunicação sobre os perigos que essa prática causa nas vítimas, principalmente em crianças e adolescentes, entre eles estão os graves danos psicológicos, extorção, exposição de fotos íntimas, estupro e até mesmo a morte. Assim, trazer à pauta esse tema, que ainda é muito silenciado e debatê-lo amplamente aumentaria as chances de atuação nele.

Por tudo isso, faz-se necessária uma intervenção pontual no problema. É fundamental, portanto, a criação de projetos de lei que contemplem a questão do catfish e o aumento da criação dos perfis fakes para fins criminosos, pelas comissões da Câmara e do Senado, em parceria com consultas públicas. Tais consultas devem ser aplamente divulgadas nas redes sociais, além disso, podem buscar pessoas que vivenciaram a situação para contar relatos, a fim de alertar ainda mais a população brasileira e diminuir situações como a do filme " Confiar".