A prática do catfish e seus perigos

Enviada em 03/05/2022

No filme americano, “Um match surpresa”, a personagem principal sofre uma decepção amorosa quando descobre que foi vítima de “catfish”, uma prática na qual alguém cria um perfil falso na internet com o objetivo de enganar e extorquir pessoas. Não distante da ficção, no Brasil, diversas pessoas enfrentam o problema do “catfish” e seus perigos. Sob essa ótica, ao invés de afastar a realidade retratada no filme da vivenciada pelo corpo social, a insuficiência legislativa e o aumento da exposição de dados na internet colaboram para a persistência do problema.

Convém ressaltar, a príncipio, a ausência de uma legislação específica como um dos entraves para a consolidação de uma solução. Conforme a lei 12.965/14, que protege a intimidade das conversas virtuais, apenas a prática da violência ou de ameaças configuram-se como crime. Nesse contexto, a insuficiência legislativa gera uma sensação de segurança para os golpistas, uma vez que dificilmente serão descobertos e punidos. Dessa forma, tal situação provoca uma insegurança e desconforto para os usuários das redes sociais e uma sensação de injustiça por parte das vítimas do golpe.

Outro ponto relevante na temática, é o aumento da exposição de dados na internet. Segundo uma pesquisa realizada pela empresa F-secure, cerca de 86% dos brasileiros admitem que compartilham muitas informações nas redes sociais. Dessa maneira, o excesso de dados pessoais que são veiculados na internet atualmente favorecem a prática do “catfish”, pois fornecem material para os golpistas criarem perfis falsos baseados em perfis reais, dificultando ainda mais a identificação de fraudes. Nesse sentido, a divulgação indiscriminada de informações íntimas nas redes sociais contribui para a consolidação e periculosidade da problemática.

Portanto, faz-se necessária uma intervenção. Assim, o Ministério das Comunicações, em conjunto com ONGs especializadas , deve desenvolver ações que visam a correção do excesso de exposição de dados. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais por meio da elaboração de vídeos que comparem os relatos de indivíduos que vivenciaram o problema e a exposição de informações pessoais. É possível, também, a criação de uma “hashtag” para dar identidade e visibilidade à campanha, a fim de mitigar os problemas provocados pela exposição de dados nas redes sociais. Além disso, o Governo Federal, como órgão máximo responsável, deve desenvolver propostas legislativas mais completas com o objetivo de inibir a prática do “catfish”. Desse modo, problemas como o retratado no filme ficarão apenas na ficção.