A prática do catfish e seus perigos

Enviada em 09/05/2022

O carnaval veneziano medieval, período de distração para as mais variadas ca-madas sociais da época, dava a permissão de disfarce a qualquer pessoa através do uso de máscaras. Essa prática, que possibilitava aos venezianos fingir ser outra pessoa, pelo menos por algumas horas, abria caminhos para a propagação de atos ilícitos, uma vez que os praticantes não tinham sua real identidade revelada. Semelhantemente, na contemporaneidade, a prática do catfish que, no lugar das máscaras, é propagada por perfis falsos em sites online, pode causar danos emo-cionais e financeiros às vítimas desse golpe. Por esse motivo, o exercício dessa farsa requer dos indivíduos conectados à internet maior cuidado e atenção.

A princípio, é perceptível que o catfishing pode ser feito por qualquer pessoa, com as mais variadas intenções. Por um lado, a prática pode ter como origem mo-tivos pessoais como a baixa autoestima, que pode incitar a necesidade da criação de perfis falsos para atrair a atenção de mais pessoas online. Por outro, pode advir da má intenção de golpistas, que se disfarçam nos chamados “fakes” com o intuito de extrair dinheiro. Um exemplo disso, que foi relatado pela CNN Brasil, aconteceu com a atriz brasileira Vera Gimenez, que perdeu 50 mil reais quando um suspeito, se passando por sua filha, solicitou a transferência desse valor.

Nesse sentido, é evidente que esses golpes ocasionam danos emocionais, uma vez que as vítimas podem se iludir com a existência de alguém que foi inventado, como é retratado no filme “Um match surpresa” quando Natalie é enganada pelo namorado que conheceu virtualmente. Além disso, muitas das vítimas do catfish têm sua vida financeira afetada, já que estão sujeitas a chantagens de divulgação de dados pessoais e de conteúdos íntimos, que promovem extorsões de dinheiro.

Diante desse quadro, é necessário que a segurança dos usuários de sites e apli-cativos seja aprimorada. Assim sendo, é imprescindível que administradores de grandes empresas de comunicação (como Tinder, Facebook e Instagram) aumen-tem a fiscalização no ato de criação de perfis. O que deve ser feito, sobretudo, in-tensificando a exigência de informações que comprovem que o usuário é uma pessoa real (como o número de RG ou CPF), para que haja a remoção de “másca-ras” na internet, a fim de tornar as redes sociais um ambiente mais seguro.