A precarização do trabalho informal
Enviada em 01/11/2022
Lutas e limitações marcam a história do Brasil. Da colonização à miscigenação, da exploração aos costumes impostos, o país registra percalços de um povo que se contruiu em uma base histórica distorcida. Hoje, a antiga terra tupiniquim avança rumo ao progresso, todavia, é preciso superar mazelas, como a precarização do trabalho informal, fomentada pela efemeridade das relações contemporâneas e pela sociedade do desempenho.
Em primeiro plano, a volatilidade das relações na sociedade faz com que os indivíduos não encontrem estabilidade nos empregos, uma vez que esses são facilmente substituídos pelas empresas. À luz de Zygmunt Bauman, a “modernidade líquida”, caracaterizada pelo avanço das tecnologias e redes sociais, fragmenta os laços sociais. Isto é, as empresas substituem as pessoas por outras ou por novos aparatos tecnológicos, porque visam maiores lucros e não se preocupam com o bem-estar daquelas. Isso implica em um maior número de trabalhos precários, uma vez que elas, muitas vezes, não conseguem se reintegrar no mercado de trabalho e tem que optar por trabalhos informais.
Em segundo plano, a precarização do trabalho informal é intensificada pela alta demanda da sociedade do desempenho. De acordo com Eliane Brum, em seu texto “Exaustos, correndo e dopados”, é exigida às pessoas um desempenho excessivo e elevada produtividade. Dessa forma, os indivíduos se esforçam para trabalhar 24 horas por dia, durante os 7 dias da semana, o que leva a um estado de exaustão, bem como o comprometimento da saúde física e mental. Nesse sentido, observa-se que a sociedade da produtividade intensifica o ambiente precário no qual muitas pessoas ganham a vida.
Portanto, cabe ao Ministério da Economia e o Ministério do Trabalho e Previdência realizar investimentos em regiões do Brasil onde o trabalho informal é mais presente. Isso como forma de gerar postos de trabalho formais, os quais garantiriam melhor qualidade de vida às pessoas que se encontram nesse contexto, reinserindo-as no mercado de trabalho com a oferta de empregos dignos, que respeitem a legislação trabalhista no que tange aos períodos de descanso. Assim, ter-se-ia uma sociedade menos precarizada e mais descansada.