A precarização do trabalho informal
Enviada em 01/11/2022
Com o advento da Terceira Revolução Industrial, diversas transformações no âmbito do mercado de trabalho afetaram a população, como o aumento da necessidade de especialização da mão de obra para se adequar a tais demandas. No entanto, tal situação dificulta progressivamente o acesso do indivíduo ao emprego formal, o qual é forçado a se dirigir ao trabalho informal, onde muitas vezes promove a insegurança socioeconômica, o que é grave. Assim, faz-se necessário avaliar os alicerces a fim de mitigar esse impasse.
Nesse contexto, é importante ressaltar a falta de acesso à educação de qualidade como fator potencializador da problemática. Segundo o escritor Ariano Suassuna, o Brasil é dividido em dois países distintos: o dos privilegiados e dos despossuídos. Sob essa ótica, entende-se que inúmeros indivíduos vivem em condições desfavoráveis de renda, sem oportunidades de acesso à educação e ao trabalho digno, haja vista que para aumentar as chances de entrar em um emprego estável, faz-se necessário um currículo rico em especializações, sobretudo, com formação superior, o que é distante da realidade dessa população.
Além disso, nota-se a negligência do Estado perante ao problema, isso porque, os investimentos necessários para enfrentar esse paradigma não são prioridade. Na obra “O Cidadão de Papel”, Gilberto Dimenstein argumenta que a legislação brasileira não é eficaz, pois, muitas vezes, não se concretiza na prática, ficando somente no “papel”. À vista disso, o cidadão padece frente à postura estatal de descaso no que se refere à ampliação e garantia de acesso aos direitos previstos na legislação, como o acesso à educação e ao trabalho digno. Dessa maneira, observa-se como essa situação promove a vulnerabilidade.
Torna-se imperativo, então, alçar medidas para combater esse entrave. Para tanto, o Poder Público, por meio de verbas governamentais, deve promover uma campanha de acesso ao mercado de trabalho para a população de baixa renda, com a inclusão de especializações necessárias para o currículo empregatício, assim como o direcionamento aos postos de trabalho criados pelo próprio Estado. Isso será feito a fim de amenizar a vulnerabilidade e a precarização do trabalho informal hodierno.