A precarização do trabalho informal

Enviada em 01/11/2022

Com o advento da Revolução Técnico-Científica e Informacional, o mercado de tra-balho modernizou-se a fim de acompanhar as demandas do mundo globalizado. Nesse sentido, os profissionais mais qualificados para lidar com o avanço da tecno-logia, foram mais valorizados no cenário mercadológico. Diante desse cenário, a su-jeição do trabalhador à tecnologia e a carente estrutura educacional brasileira são fatores que contribuem para a precarização do trabalho informal.

Sob essa análise, é interessante salientar o surgimento de uma nova categoria as-sociada ao avanço tecnológico. Segundo o conceito de infoproletário proposto pelo sociólogo Ricardo Antunes, o trabalhador que depende da máquina digital, infor-macional, do smartphone ou de alguma modalidade de trabalho digital, prestam serviços de alta intensidade e não possuem nenhuma garantia de estabilidade. Desse modo, a dependência tecnológica amplia e precariza o ambiente de trabalho informal e, infelizmente, acarreta reflexos negativos à saúde física e mental dos tra-balhadores, como a intensificação do estresse e da ansiedade.

Ademais, observa-se a baixa escolaridade da população como outro fator para a ampliação do mercado informal. De acordo com dados divulgados pelo IBGE na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2018, mais da metade dos brasileiros de 25 anos ou mais não concluiu a educação básica. Em decorrência da pequena parcela populacional com acesso ao ensino superior, há pouca qualifica-ção profissional necessária para obter um emprego que garanta estabilidade den-tro de um mercado de trabalho mais exigente, o que permite, além da migração para o mercado informal, a exploração dos trabalhadores pouco instruídos.

Portanto, é necessária a intervenção do Estado - responsável por garantir educa-ção à população e por preservar seus direitos laborais -, mediante a projetos de ga-rantia de acesso à educação de qualidade e a elaboração de leis que assegurem di-reitos trabalhistas aos trabalhadores informais, promover a qualificação profissio-nal dos jovens e condições de trabalho melhores às categorias informais. Tais açõ-es são propostas a fim de reduzir a exploração do trabalhador e proporcionar um ambiente de trabalho saudável, ao invés de precarizado.