A precarização do trabalho informal
Enviada em 02/11/2022
Manoel de Barros, grande poeta pós modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, que consiste em valorizar as situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. De maneira análoga, grande parcela da sociedade brasileira trata com negligência o trabalho informal, que cada vez mais está sendo precarizado.Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos à essa temática, é importante analisar a crise econômica e a baixa remuneração dos trabalhos não registrados.
Constata-se, a princípio, que o deficiente desempenho econômico contribui para o aumento do trabalho informal. Segundo Émile Durkheim, um ambiente patológico, em crise, não favorece o progresso coletivo e rompe toda a harmonia social. Dessa forma, o ambiente patológico pode ser caracterizado pelo elevado desemprego, que leva muitos cidadãos a procurar fontes de renda de forma desesperada, no ano de 2021, 55,6% dos trabalhadores não tinham qualquer vínculo formal.
Como consequência da escassez de empregos registrados, muitos brasileiros se sujeitam à condições precárias de trabalho para sobreviverem. De acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “As cidadanias multiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais. Entretanto, na atual realidade do país, 2 milhões de pessoas não estão tendo acesso a um trabalho digno, visto que, em 2021, elas tinham como remuneração máxima um salário mínimo por mês.
Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para amenizar o problema. Desse modo, o governo, mantenedor dos direitos do cidadão, deve procurar aumentar o número de trabalhos formais por meio de investimentos em projetos econômicos realizado em parceria com grandes profissionais da área financeira. Além disso, o Ministério do Trabalho deve promover fiscalizações e combater condições extremas de trabalho que violem os direitos humanos.