A precarização do trabalho informal
Enviada em 04/11/2022
O jornalista Gilberto Dimenstein, ao produzir a obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entanto, ao observar a questão da precarização do trabalho informal, constata-se que esse direito não tem sido assegurado na prática. Com efeito, é imprescindível enunciar o aspecto sociocultural e a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da chaga.
Em primeira análise, torna-se evidente a influência do fator sociocultural. Sob tal perspectiva, é oportuno assinalar que, conforme o pensador Émile Durkheim, a sociedade deve ser analisada de maneira crítica e distanciada do senso comum. Nesse sentido a proposta do sociólogo pode ser aplicada quando se analisa a crescente insegurança financeira do trabalho informal, uma vez que o trabalhador esta perdendo mais e mais direitos fundamentais em prol de uma maior autonomia. Destarte, discorrer criticamente essa problemática é o primeiro passo para a consolidação de um país equânime.
Ademais, é cabível pontuar que a ineficácia das leis corrobora com a persistência da vicissitude. A esse respeito, o filósofo grego Aristóteles afirmou que o objetivo da política é promover a vida digna dos cidadãos. Nessa lógica, a conjuntura vigente contrasta o ideal aristotélico, posto que a falta de punições à empresas que exploram seus trabalhadores, como a Uber ou o Ifood, incentiva-os a continuarem tais práticas. Assim, medidas precisam ser tomadas pelas autoridades competentes, a fito de atenuar o revés.
Infere-se portanto que o imbróglio abordado necessita ser solucionado. Logo, a mídia por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com profissionais especialistas nessa área, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentar visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá pela elaboração de um projeto estatal, em parceria com as emissoras. Em adicão, o Congresso Nacional irá formular artigos jurídicos para intensificar a punição à empresas que perpetuam práticas explorativas à seus trabalhadores. Feito isso, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.