A precarização do trabalho informal

Enviada em 09/11/2022

O trabalho informal é visto, por muitos, como uma forma mais livre de trabalhar, à medida que o indivíduo consegue gerar renda por conta própria,sendo patrão de si mesmo. Porém, essa visão omite uma realidade vivida por muitos brasileiros: a precarização do labor informal. Tal problemática é causada pela ganância de muitas empresas que buscam lucro do trabalhador autônomo, o que favorece a exploração da mão de obra das pessoas.

Nessa perspectiva, cabe destacar o neoliberalismo agressivo em que se vive, que busca engendrar o maior lucro possível, diminuindo a renda do autônomo. Sob esse viés, pode-se mencionar o livro “O capital do século XXI”, do economista Thomas Piketty, o qual explora as condutas tomadas por grandes corporações que estão mais preocupadas em lucrar, negligenciando as condições de trabalho dos indivíduos. De fato, percebe-se que muitas empresas as quais oferecem plataformas, como o Mercado Livre,para um autônomo vender o seu serviço, cobram taxas absurdas deste, por trabalho realizado, aproveitando-se da mão de obra do trabalhador informal.

Somado a isso, essa prática de extorquir a renda do labor dos indivíduos, precariza o trabalho destes, à medida que essas pessoas são forçadas a realizar mais serviços, com o fito de aumentar suas remunerações. Tendo isso em vista, nota-se um processo de “Uberização” do trabalho, proposto pelo pensador Byung Chul-Han, na hodiernidade. Segundo esse conceito, muitos sujeitos recorrem a fontes de renda degradantes e injustas para sobreviverem no mundo contemporâneo. Infelizmente, várias corporações oferecem uma falsa sensação liberdade, criando no imaginários dos indivídduos a ideia da possibilidade de gerar renda por conta própria, porém, estes viram escravos desses aplicativos, por não ter outra opção de renda.

Dessa forma, medidas são necessárias para frear esse impasse. Portanto, cabe ao Ministérios do Trabalho sancionar uma lei que regulamente o trabalho informal, por meio de um projeto entregue à Câmara. Essa lei consistirá em limitar as taxas cobradas pelas empresas em relação a execução do serviço do autônomo à uma certa porcentagem, a fim de reduzir a precarização do labor não formal.