A precarização do trabalho informal

Enviada em 11/11/2022

O filósofo Claude Levi Strauss afirma que só é possível interpretar as ações coletivas por meio do entendimento de eventos históricos. Dessa forma, no contexto hodierno, percebe-se que muitos cidadãos estão inseridos em um modelo trabalhista precário e informal, reflexo de um cenário acentuado durante antigos sistemas econômicos. Assim sendo, elucida-se a criação de medidas que coíbam a perpetuação desse imbróglio, que tem como propulsores a lógica econômica individualista e a negligência governamental.

Em primeira análise, é cabível salientar a lógica econômica individualista como empecilho para a dissolução do impasse. De acordo com o filósofo Karl Marx, a base de uma sociedade capitalista é a priorização do lucro. Desta maneira, o Poder Público, ao priorizar o setor privado e benefícios individuais, estimula a desigualdade social, visto que grande parte da sociedade não adquire remuneração necessária e nem base assistencial, além de ter um emprego instável. Logo, é evidente que o ideal econômico individual traz consigo um atraso social, uma vez que insere a comunidade em um cenário hostil e sem perspectiva.

Outrossim, a negligência governamental apresenta-se como outro fator que impede a solução do problema. Nessa perspectiva, o sociólogo Zygmunt Bauman, aborda o conceito de “Estado Minguante”, ou seja, um Estado que promove aos grandes empresários privilégios, enquanto a sociedade torna-se vulnerável. Seguindo a lógica do pensador, o sistema econômico atual valoriza apenas o interesse financeiro da elite, levando os demais cidadãos a condições trabalhistas desfavoráveis, ou seja, sem registro ou fiscalização de funções. Assim sendo, percebe-se que a indiferença do Estado diante desse óbice impede uma melhor qualidade de vida para a população e causa regresso e insatisfação do corpo civil.

É evidente, portanto, que a precariedade do trabalho informal apresenta prejuízos causados pela negligência estatal e a falta de coletividade econômica. Desse modo, cabe ao Governo, órgão responsável pela administração pública, criar projetos de fiscalização de trabalho e garantir a geração de emprego formal para o povo. Tal ação deverá ser feita a fim de atenuar a precarização do trabalho. Assim, poder-se-á garantir que todos os indivíduos tenham seus direitos garantidos.