A precarização do trabalho informal

Enviada em 03/03/2023

O livro “O Cidadão Invisível”, de Gilberto Dimenstein, trata da desvalorização de alguns indivíduos na sociedade moderna. Analogamente, a crítica do autor pode ser verificada na precarização do trabalho informal, uma vez que muitos trabalha- dores atuam em condições degradantes e têm seus direitos violados. Nesse senti- do, cabe analisar a omissão estatal e a desigualdade social enquanto pilares da problemática.

Diante desse cenário, é notório que a negligência governamental é um fator de-terminante para a persistência do problema. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. No entanto, tal responsabili- dade não está sendo honrada na precarização do trabalho informal, visto que o po-der público pouco investe na geração de empregos, o que fomenta o desemprego formal e a busca por formas alternativas de trabalho, resultando em uma grande massa de pessoas no mercado incerto e precário da informalidade. Assim, é urgen-te que o Estado saia da inércia em que se encontra.

Ademais, é evidente que a elitização influi fortemente na consolidação da pro-

blemática. Para Malala Yousafzai, “não podemos ser bem-sucedidos quando meta-de de nós é retida”. Porém, a perspectiva da ativista não é observada na inseguran-ça do trabalho informal, já que o grave abismo econômico dificulta o acesso a em-pregos formalizados, o que obriga a parcela mais pobre da população a trabalhar de forma insalubre para sobreviver. Desse modo, a disparidade social deve ser su-

perada para atuar sobre a questão.

Portanto, faz-se necessária uma intervenção pontual. Para isso, é preciso que o Ministério do Trabalho, por meio de investimentos em um plano nacional, promova a criação de empregos formais em todos os estados do país, com a finalidade de diminuir o índice de trabalhadores informais e, por consequência, reduzir a precarização. Tal ação deve contar com a oferta de cursos profissionalizantes para trabalhadores em situação de informalidade. Paralelamente, urge intervir sobre a elitização presente na temática. Dessa maneira, haverá menos cidadãos invisíveis, como explica Dimenstein.