A precarização do trabalho informal

Enviada em 04/07/2023

Hodiernamente, observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca da precarização do trabalho informa. No Brasil, entretanto, esse assunto, infelizmente, não tem recebido a condigna atenção, devido à celeridade dos processos humanos e ao silenciamento midiático. À vista disso, é imprescindível a retificação dessas mazelas para a plena harmonia social.

Efetivamente, conforme a jornalista Eliane Brum, a sociedade encontra-se em um momento no qual precisa produzir o tempo todo: “vinte e quatro horas por sete dias na semana”. Nessa lógica, verifica-se que grande parte dos brasileiros, por estar nesse ritmo de vida frenético, não dá a merecida importância à precarização do trabalho informal, uma vez que não tem tido tempo para ponderar sobre os efeitos dessa conjuntura no bem-estar cívico, a exemplo da existência de pessoas em situações análogas à escravidão no âmbito laboral, com salários escassos e longas jornadas de trabalho. Por conseguinte, a celeridade dos processos torna o corpo civil apático às más condições trabalhistas no país.

Ademais, consoante o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. A mídia, segundo ele, é uma dessas ferramentas, mas em vez de expor a precarização do trabalho informal, influencia no silenciamento do problema, tendo em vista a preponderante ausência de discussões sobre a dificuldade de fazer valer os direitos dos trabalhadores informais - carteira assinada e férias, por exemplo -, em virtude da posição maleável que esse grupo se encontra na sociedade. Consequentemente, a má influência midiática perpetua a apatia social e condena a classe trabalhadora ao desequilíbrio.

Portanto, cabe ao Governo Federal - instância máxima do Poder Executivo - agir em favor da população, mediante o aumento da fiscalização das condições de trabalho em todas as suas formas, a fim de promover a equidade laborial. Concomitantemente, a mídia deve conscientizar os trabalhadores, por intermédio da propagação de campanhas educativas - claras e sucintas - sobre os seus direitos, com o intuito de mitigar os abusos de poder. Assim, espera-se remediar os efeitos da celeridade dos processos humanos e da inércia midiática.