A precarização do trabalho informal
Enviada em 04/11/2023
Na série “Todo mundo odeia o Chris”, o pai do protagonista, necessita de muitos trabalhos para manter a casa e sua família, e por consequência, apresenta uma rotina abusiva como principal fator dessa problemática. Analogamente, no Brasil hodierno, casos como o da série infelizmente não se restringem às telas, fazendo parte, assim, da realidade de inúmeros brasileiros. Com efeito, é fundamental analisar os propulsores desse contexto hostil: negligência estatal e a omissão social.
Diante desse cenário, é evidente que a negligência estatal é um obstáculo para o aumento do desemprego e, por consequência, o desespero populacional em busca de trabalho. Consoante o pensador Thomas Hobbes, “é papel do Estado proteger seus filhos”. Diante disso, é perceptível que o Estado não está cumprindo com o seu papel, haja vista que não disponibilizam medidas suficientes para assegurar direitos trabalhistas a esse grupo social, destoando-os do ideal de Hobbes.
Ademais, a omissão social contribui para que casos de trabalho informal perpetuem na atualidade. Conforme a filósofa Adjamila Ribeiro “é preciso tirar as situações da invisibilidade para que soluções sejam encontradas”. Sob esse viés, a alienação da sociedade diante dessa realidade recorrente, atua como propulsor para que situações como o aumento da informalidade nos trabalhos continuem acontecendo, como é mostrado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), 38,808 milhões de brasileiros operam no mercado de trabalho informal.
Tornam-se evidentes, portanto, as consequências negativas advindas da negligência estatal e da omissão social. Logo, cabe ao governo federal – promotor do bem-estar social – promover a valorização do trabalho informal, por intermédio da criação de leis trabalhistas, com o fito de assegurar direitos legítimos a esses trabalhadores. Paralelamente, é papel da mídia destacar esse tópico, por meio de ficções engajadas que representem a realidade, a fim de mobilizar a sociedade quanto a situação fragilizada desse grupo. Destarte, poderá ser observada uma sociedade distinta a da série, que ofereça não somente dignidade ao caso exposto no seriado, como também a legitimação dos direitos dos trabalhadores informais.