A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 08/10/2019
A Terceira Revolução Industrial, que teve início na década de 1970, consolidou a internet não só como fonte de informação mas também como ferramenta de produção e disseminação de conteúdos. Esse cenário modificou o modo de fazer jornalismo, uma vez que viabilizou outras maneiras de transmitir as notícias para sensibilizar e atrair maior audiência. Com isso, a prática sensacionalista transformou em espetáculo os fatos do cotidiano com a finalidade de manipular, mediante a cultura do medo e chamar a atenção, pelo apelo emocional, da sociedade contemporânea.
Nesse contexto, é possível analisar que os meios de comunicação se utilizam da cultura do medo para moldar a opinião pública. Segundo o filósofo Nicolau Maquiavel, o medo é mais potente e duradouro do que o amor. A partir disso, na atualidade, essa sentença condiz com o papel do jornalismo, haja vista a utilização de tragédias e imagens violentas que mostram fatos, muitas vezes esporádicos, como obrigatoriedade da rotina de uma região. Logo, o objetivo se torna provocar impacto na população, a qual passa a se comportar de acordo com o que foi recebido.
Além disso, a mídia usa recursos de apelo à emoção e às crenças pessoais da população com o objetivo de aumentar o número de espectadores. De acordo com o conceito de “pós-verdade”, definido pelo dicionário de oxford em 2016, os fatos tem menos influência em moldar o ponto de vista popular do que as cenas de comoção. Assim, o jeito que os jornais falam, com textos simples e que atinjam a posição das massas, importam mais do que as notícias em si, e as pessoas passam a assistir os canais e as redes sociais das mídias que concordam com as suas ideologias. Com efeito, a audiência desses meios de comunicação tende a aumentar, uma vez trabalham de acordo com os ideais populares.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para diminuir o sensacionalismo no jornalismo brasileiro. É imprescindível, então, a atuação do Governo Federal, em criar um órgão institucional avaliador da qualidade e das fontes das informações dos canais de comunicação que atinjam mais indivíduos, e publicar os dados e resultados em sites oficiais para que a sociedade tenha um espaço para saber como as suas redes de informação transmitem as noticias e a veracidade delas. Isso pode ser realizado por meio de acordos público - privados com empresas de tecnologia da informação para construir e organizar essas referências. Dessa maneira, a internet e a nova era digital podem trazer mais benefícios do que malefícios no meio jornalístico e social.