A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 28/08/2019
Apenas teoria
À mercê do cenário desenvolvimentista do século XVIII, o movimento iluminista destacou a importância da ação dos Estados na valorização da liberdade de expressão e nas interações comunitárias. No entanto, as premissas do século das luzes tornam-se fragilizadas frente ao moderno contexto de sensacionalismo no viés jornalístico brasileiro. Com efeito, o combate a esse biotipo pressupõe que sejam desenvolvidas e aprimoradas políticas públicas interventoras.
Em primeiro plano, a presença de argumentos sensacionalistas está atrelada aos interesses pessoais ou corporativos de redes comunicativas. Para Michel Foucault, toda linguagem é dotada de ideologia e pode — a partir disso — construir um teor de convencimento e persuasão para com os indivíduos . A esse respeito, o pensamento do teórico francês se aplica na realidade verde-amarela, visto que grande parcela dos órgãos midiáticos do país possui alinhamento ideológico em ambiências sociais, como o ramo político. Dessa forma, cresce a importância de aprimorar medidas que sobreponham a transparência informativa aos interesses particulares.
Ademais, o uso exacerbado da função conativa é intensificado pela grande gama de veículos comunicativos. Nesse contexto, o pensador Theodor Adorno interpreta que a chamada ‘‘Indústria Cultural’’ tende, periodicamente, a criar novos mecanismos, aos quais possuam como fim a manipulação da massa e a sua homogeneização no consumo. Na prática, o pensamento do filósofo é visível pela grande participação de publicidades virtuais, que faz uso de mensagens sensacionalistas, a fim de induzir cidadãos à compra. Assim, enquanto a inércia de agentes sociais nesse aspecto for regra, o progresso de uma sociedade livre manipulações será exceção.
Impende, pois, que sejam adotadas e preservadas medidas em prol de uma comunidade mais transparente no setor midiático. Com tal fito, compete ao Ministério da Comunicação construir novas normas legislativas, as quais incentivem as principais redes televisivas brasileiras a serem imparciais em âmbitos essenciais à democracia, como a participação política, a fim de consolidar uma sociedade mais ética e livre intelectualmente. Por sua vez, as escolas devem intensificar a ideia de construir indivíduos mais interativos com o meio social, por meio do estudo de personagens destacados nesse ramo, como o método cético de René Descartes, que enfatiza a importância do questionamento para a legitimação do homem. Por conseguinte, essas medidas contribuirão para a firmeza de uma sociedade mais democrática e transparente. Logo, a perspectiva iluminista deixaria de ser apenas teoria.