A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 02/09/2019
Uma das características da ditadura personalista de Getúlio Vargas, no Brasil, foi a presença do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), que manipulava a opinião pública a favor do governo. Outrossim, o Brasil atual ainda é acometido por resquícios desse episódio histórico, uma vez que a falta de esclarecimento da população, aliada à busca excessiva da mídia por audiência, corrobora para a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar as causas e consequências do impasse.
A princípio, é importante destacar o déficit do senso de análise da comunidade para filtrar informações. Assim como visto no governo Vargas, a imparcialidade nas informações expostas é um fator preocupante no que se refere à manipulação do pensamento da sociedade. Segundo dados do Instituto Reuters, na Inglaterra, 60% dos brasileiros confiam nas notícias divulgadas pelas empresas de jornalismo. Tais dados revelam a fragilidade do pensamento crítico do nosso corpo social, tornando-se alvo das mídias de comunicação - que apenas querem vender seu produto.
Ademais, é mister salientar a crescente procura por lucro e audiência das atuais redes de informação. A lógica capitalista, implantada na sociedade a partir das revoluções burguesas, afirma que a ascensão social é conquistada a partir do acúmulo de capital. Dessa forma, os profissionais de jornalismo - em busca de melhores cargos ou salários - produzem matérias no intuito de alcançar um número elevado de espectadores, sem dar relevância para a difusão de informações fidedignas. Assim, muitas pessoas que têm como única fonte de informações essas redes, acabam absorvendo e veiculando informações de caráter falacioso ou parcialmente equivocadas.
Infere-se, portanto, a necessidade de dissolução dessa conjuntura. Nesse sentido, é imprescindível que o Ministério da Educação (MEC), em parceria com instituições de ensino, conscientize a população sobre o atual sensacionalismo; por meio de palestras e mesas redondas de debate - com profissionais de filosofia, sociologia e história, por exemplo. Tal ação visa a propor maior engajamento do nosso corpo social para impedir que informações desleais sejam absorvidas. Assim, o resquício histórico da ditadura Varguista poderá ser amenizado.