A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 27/09/2019
A prática jornalistica no Brasil teve início com a chegada da família real Portuguesa, que trouxe a editora imprensa régia, em 1808, para o registro dos atos oficiais do governo. Desde então, com a sua evolução, a imprensa exerce um importante papel em sociedade de esclarecer os fatos com verdade e objetividade e incentivar a prática da cidadania. O crescimento do sensacionalismo, contudo, contribui com uma comunicação falha e com um forte apelo emocional, prejudicial em um ambiente democrático, resultado da indústria cultural e do descrédito das instituições governamentais.
Nesse sentido, ante a ineficácia das políticas de segurança pública e do sistema judiciário, o surgimento dos telejornais sensacionalistas fortalece na população o sentimento de desesperança e pavor quanto ao crescimento da criminalidade. Assim, Adorno e Horkheimer - filósofos da escola de Frankfurt - estabelecia que o desenvolvimento da indústria cultural idealiza produtos para o consumo excessivo das massas ,que cria nos consumidores ilusão e conformismo, o que, notoriamente, é típico da atual caricatura do jornalismo brasileiro, que se vale da suposta credibilidade para influenciar negativamente seus telespectadores.
Além disso, o espetáculo da tragédia, a desumanização e a naturalização de eventos trágicos lembra até mesmo as lutas entre gladiadores e as execuções públicas que ocorriam no coliseu de Roma. Nela, a morte, a dor humana e a mutilação serviam de espetáculo para o agrado do público. Não muito diferente, a banalização da violência desvirtua a população e os leva a falta de empatia e senso crítico. Na internet, por outro lado, onde acessos e cliques são cruciais para o lucro, é frequente o uso de manchetes sensacionalistas que conduzem ao erro o leitor desatento e contribui para o descrédito da população aos veículos tradicionais de jornalismo. Esse fato, portanto, guia a imprensa e a sociedade para a ação e a reflexão acerca da necessidade de mudança sob tais práticas.
Para isso, é importante que haja em sociedade um incentivo e uma cultura de financiamento aos veículos independentes de jornalismo, através de assinaturas digitais, redes de financiamento coletivo e clubes de assinaturas, a fim de valorizar boas práticas e reconhecer a competência dos que tem um compromisso com a verdade. Ao mesmo tempo, é crucial que Organizações Não Governamentais e o próprio Ministério da Educação atuem com projetos de conscientização nas escolas e na mídia acerca dos males do sensacionalismo no debate público e sobre a necessidade de investigação dos fatos para a construção da opinião. Para que, assim, com responsabilidade e profissionalismo, o jornalismo retome seu papel de destaque na promoção da cidadania e no seu compromisso com a verdade.