A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 17/09/2019

Em “1984”, obra do romancista George Orwell, o protagonista, Winston Smith, altera e falsifica registros históricos à luz do presente tirânico. A narrativa foca no papel do Ministério da Verdade que, de maneira sensacionalista, induz o comportamento do corpo social. O conflito que a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro causa é o mesmo da ficção de Orwell: a informação verdadeira é negligenciada ainda que imprescindível na formação de um Estado Democrático de Direito. Diante disso, é essencial analisar como o ideal capitalista aliado ao funcionamento do sistema jornalístico corroboram na consolidação dessa problemática.

É relevante enfatizar, a princípio, que o sensacionalismo vigente deriva do ideário Líbero-capitalista intrínseco à sociedade. Isso decorre, na perspectiva de Gilles Lipovetsky, no livro “A era do Vazio”, de um comportamento maquiavélico na hipermodernidade: quando a finalidade é o capital - de cunho financeiro - qualquer meio é adequado. Evidencia-se tal caráter nos jornais, que, a fim de receber a maior quantidade de “impacto digital” - audiência -, propagam sensacionalismos. Ocorreu isso, a título de exemplo, nas postagens do grupo social Movimento Brasil Livre (MBL) que, em 2018, propagou notícias sensacionalistas a respeito de Marielle Franco, vereadora carioca, na tentativa de desqualificá-la, sustentando seu discurso liberal, indo de encontro ao apregoado por Marielle.

Somado-se a isso, é imperioso destacar que o sistema jornalístico tem influência histórico-cultural. Isso porque os jornais que utilizam da estratégia sensacionalista seguem os preceitos do propagandista da era Nazista, Joseph Goebbels, que dizia: “Não falamos pra dizer alguma coisa, mas pra obter um certo efeito”. Nesse contexto, os jornais, ao invés de utilizar a função referencial da linguagem - linguagem objetiva e informativa -, usam a apelativa - para atingir suas finalidades, sejam elas financeiras ou políticas. Não é à toa, então, que, no Brasil, alguns jornais utilizem de tal estratégia, visto que, semelhante ao ocorrido na obra de Orwell, a manipulação - deplorável na democracia - ajuda na obtenção de certos efeitos, como ressaltado por Goebbels.

Depreende-se, portanto, a necessidade de coibir o sensacionalismo no Brasil, uma vez que, além de representar uma ameaça à democracia, desinforma e manipula os cidadãos. Em razão disso, o governo Federal, pressionado por deputados federais engajados, crie um programa de nome “Transparência Já!”, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição, que fiscalize, nas mídias sociais - reduto de propagandas sensacionalistas - como o Facebook e o Instagram, por exemplo, a incidência de notícias de desinformação, penalizando tais jornais financeira e legalmente, com a finalidade de acabar com tais notícias, que, lamentavelmente, tal qual relatado na obra de Orwell, podem ocorrer.