A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 17/09/2019
Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremado que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entraves como o sensacionalismo ainda se fazem presentes na sociedade brasileira. Nesse sentido, cabe analisar de que forma a apelação na informação afeta a sociedade, bem como esclarecer o porquê dos meios de comunicação adotarem tal comportamento, em busca de soluções eficientes para esse entrave.
Em abordagem inicial, nota-se que a população faz uso da televisão como principal fonte de informação, visto que 63% a utilizam para esse propósito, segundo dados da Pesquisa Brasileira de Mídia. Nessa perspectiva, tal problemática entra em conflito com a utopia de Brasil idealizado por Barreto, na medida em que o sensacionalismo corrompe o conteúdo transmitido, por conseguinte, gera a desestimulação do senso crítico. Aliás, não se pode negar a influencia da TV no caso Eloá, em 2008, em que uma jovem foi sequestrada pelo ex-namorado, que a manteve em cárcere, o sequestro foi noticiado durante todo o ocorrido pela imprensa, que além de romantizar o crime, permitiu ao sequestrador informações externas, sendo um agravante para o fim trágico. Dessa forma fica evidente os riscos desse tipo de abordagem midiática.
Ainda convém lembrar que, a mídia atua como 4° poder, influenciando nas ações governamentais e da sociedade, para exercer tal função é necessário uma grande audiência, logo, utiliza de meios antiéticos, como o exagero, criação de polêmicas e omissões de informações para obter o alcance almejado. Nesse contexto, consolida-se a percepção do filósofo iluminista Rousseau em sua obra “O contrato social”, conforme o pensador, para um bom funcionamento dos organismo social é preciso que haja uma relação de confiança entre o Estado e a sociedade, configurando o princípio de cooperação. À luz dessa ideia, torna-se notório que há uma ruptura do contrato social, pois a televisão atua de forma manipuladora em busca de audiência, rompendo com os ideias de confiança do corpo social brasileiro.
Portanto, o Ministério da Educação e Cultura deve incentivar a busca de informações e advertir a população dos riscos da alienação, a partir de campanhas e programas sociais, com vista a estimulação do senso crítico. Outra medida importante a ser efetivada é a realização de ator, como passeatas e abaixo assinados, algo que terá sucesso se grande parte dos brasileiros participarem, para a garantia da veracidade jornalística. Com essas ações, acredita-se que o sensacionalismo será resolvido de modo a orgulhar Policarpo Quaresma