A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 17/09/2019

Nas eleições presidenciais brasileiras de 2018, muitos veículos de imprensa utilizaram do sensacionalismo para veicularem notícias tendenciosas. De acordo com a agência de notícias Reuters, cerca de 60% da população brasileira confia nas empresas de comunicação e não buscam por uma fonte de informação secundária. Logo, a presença do sensacionalismo na imprensa brasileira compromete sua imparcialidade e credibilidade. Nesse sentido, os interesses comerciais corporativos se sobrepõem à ética, afetando o corpo social. Portanto, esse é um agravante a ser resolvido não apenas pelo poder público, mas também por toda a sociedade.

Em primeiro lugar, é importante destacar a ótica dos pensadores da Escola de Frankfurt. Pois, a imprensa - inserida na indústria cultural - sendo uma empresa que visa poder econômico por meio da obtenção de lucros, produz bens de cultura - no caso as notícias - como mercadoria, exercendo o controle social. Ou seja, se sobrepondo à ética para obter poder. Por conta disso, essa influência gera consumidores passivos e alienados. No entanto, em analogia ao sociólogo da segunda geração da Escola de Frankfurt, Habermas, a comunicação é a forma que a sociedade utiliza para se expressar, e por isso deve buscar consenso por meio da ética, pois, só assim será possível construir o corpo social. Com base nisso, a presença do sensacionalismo na sociedade brasileira é um entrave para a comunicação íntegra entre as partes do todo.

Somado a isso, a falta de conscientização da sociedade em relação aos conteúdos que consomem, principalmente, nas redes sociais - atualmente o maior propagador de notícias, também agravam a situação. Pois, as campanhas sobre a manipulação dos consumidores pelo sensacionalismo são escassas. Além disso, a propagação de notícias tendenciosas no meio virtual é demasiadamente rápida, pois, os filtros de conteúdo são ineficientes. Ademais, a punições aos veículos de imprensa que cometem esses atos são ineficientes ou quase nulas, o que ajuda a perpetuar esse cenário na sociedade brasileira.

Logo, para atenuar os impactos negativos da presença do sensacionalismo na imprensa brasileira, é necessário que hajam alterações. Conforme o pensamento do jornalista irlandês George Shaw, que cita que o progresso é impossível sem mudança. Nesse sentido, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações em parceria com o Poder Legislativo deve intensificar por meio da Lei do Marco Civil da Internet, as punições às empresas que propagarem notícias tendenciosas, com multas. Também, projetar softwares nas redes sociais que alertem ao consumidor de que a fonte daquela notícia não é confiável. Para que assim, a comunicação se construa por meio da ética na sociedade.