A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 20/09/2019
“Uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade”. Nessa citação, proferida por Joseph Goebbels, ministro da propaganda na Alemanha nazista, é exposto a capacidade que a manipulação das informações tem para controlar uma massa populacional. Em paralelo com a atualidade, é certo que a distorção informativa que os meios de comunicação promovem ainda persiste. Nesse contexto, o debate acerca do sensacionalismo no jornalismo brasileiro tem se tornado cada vez mais pertinente, e isso se evidencia não só pela fraca fiscalização, como também pela difusão de informações falsas ou equivocadas.
É importante atentar-se, em primeira análise, à negligência do Estado no supervisionamento da mídia. Embasando-se no panóptico, modelo fiscalizador idealizado por Michel Foucault, filósofo francês, um sistema de vigilância eficiente deve criar a aparente onipresença do inspetor na mente da sociedade, e, dessa forma, assegurar o funcionamento automático do poder. No entanto, a realidade é que as autoridades brasileiras, muitas vezes se omitem de regular o jornalismo, haja vista o mutualismo que existe entre essas duas entidades em prol do controle social, isto é, o Estado é conivente e também usufrui dessa manipulação. Por conseguinte, é evidente a necessidade de conscientizar a população sobre a alienação na qual ela está sendo submetida.
Sincronicamente, em segunda análise, é fato que as “fake news” estão cada vez mais enraizadas na sociedade brasileira. Segundo dados obtidos pela MindMiners, startup especializada em pesquisas digitais, 50% do entrevistados afirmaram não verificar a veracidade das informações que recebem, enquanto que 35% admitiram já ter compartilhado alguma “fake news”. Sob esse ponto de vista, os cidadãos também contribuem para o agravamento desse cenário, no qual é exercido um controle sobre eles mesmos, tendo em vista a ignorância que se faz presente na sociedade, o que dificulta as mobilizações em favor do combate ao sensacionalismo e à inveracidade das notícias. Nesse sentido, é indubitável a relevância de informar à população a respeito dessa manipulação e das formas de combatê-la.
Em suma, é mister que providências sejam tomadas para amenizar o quado atual. Com o objetivo de amenizar os efeitos do sensacionalismo midiático no controle social, urge que as escolas promovam, por meio de palestras, diálogos com pais e alunos, enfatizando as formas de manipulação empregadas pelo jornalismo brasileiro e a importância de sempre verificar a veracidade das notícias, a fim de torná-los menos suscetíveis à alienação. Somente assim, será possível impedir, parafraseando Joseph Goebbbels, que as mentiras se transformem em verdades, e, desse modo, garantir o bem-estar social.