A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 20/09/2019

As eleições presidenciais de 2018 evidenciaram o poder de influência das informações midiáticas. Em uma mistura de fake news com sensacionalismos, alguns meios de comunicação ao informarem sobre a facada recebida pelo então candidato à presidência, Bolsonaro, não pouparam a imaginação ao formarem teorias conspiratórias as quais fizeram das últimas eleições um campo de guerra. Assim, por meio dos sensacionalismos dos canais informativos promove-se crises políticas e desinformação.

Diante do exposto, o sensacionalismo das mídias pode causar crise política ao noticiarem informações de maneira tendenciosa que sugerem conclusões precipitadas. Por exemplo, como o ocorrido no período anterior ao suicídio de Getúlio Vargas. Um forte oposicionista do governo Vargas, o jornalista Carlos Lacerda, sofre um atentado na frente do prédio onde morava; sem hesitar, o jornalista publica fotos de seus ferimentos e aponta o presidente como mandatário. Consequentemente, uma crise política no governo se desencadeou, mesmo que não houvesse provas do verdadeiro atirador, a oposição investiu contra o governo. Assim, 20 dias após do atentado ao jornalista, Vargas suicida-se  devido a ingovernabilidade agravada pelo o ocorrido. Esse ataque foi considerado pelo próprio presidente o maior prejuízo ao seu governo. Logo, uma publicação prematura aqueceu os ânimos políticos e resultou em uma grave instabilidade política.

Além disso, os exageros dos meios de notícias promovem desinformação. Também nas eleições presidenciais de 2018, devido à forte polarização política entre direita e esquerda, alguns canais informativos começaram a veicular que o nazismo Alemão foi uma corrente de esquerda, quando é de comum acordo no meio acadêmico que o nazismo seguia uma política de extrema direita. Posteriormente, a embaixada brasileira da Alemanha publicou um vídeo educativo para esclarecer que o nazismo foi, sim, uma corrente de direita; porém, a desinformação já havia se alastrado. A despeito de qualquer embate teórico, a  vinculação feita do nazismo a uma política de esquerda foi um jogo político eleitoral com o intuito de exagerar as críticas feitas aos adversários associados à esquerda. No entanto, resultou em desinformação e promoveu descrédito aos registros históricos.

Isto posto, o sensacionalismo do jornalismo brasileiro pode causar crise política e desinformação. Logo, o leitor brasileiro necessita de senso crítico para distinguir as notícias veiculadas em combate à exageros e obscurantismos. Para isso, o Ministério da Educação deveria instituir a obrigatoriedade do ensino de Atualidades em todas os anos do ciclo básico. Aulas que serão conduzidas por geógrafos, historiadores, filósofos e sociólogos com o intuito de analisar as grandes notícias da semana e criar debates entre os alunos que aprenderão a identificar o conteúdo e a veracidade dos textos lidos.