A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 23/09/2019

No livro “1984” de George Orwell, é retratado um futuro distópico, no qual um Estado controla e manipula toda forma de registro, seja histórico ou contemporâneo, a fim de moldar a opinião pública a favor dos governantes. Fora da ficção, vê-se que a realidade proposta por Orwell se enquadra ao hodierno jornalismo brasileiro, tendo em vista que o sensacionalismo, usado para cativar a atenção dos telespectadores, interfere na veracidade dos acontecimentos. Desse modo, é mister analisar a falta de ética nesse âmbito, bem como a manipulação em massa, presa em uma grande bolha sociocultural.

Em primeira análise, é importante destacar que a falta de profissionalismo no jornalismo está intimamente ligada pela busca por notícias sensacionalistas. Sob tal ótica, de acordo com a ética kantiana as ações do homem devem ser guiadas pela razão, e tais atitudes devem beneficiar o bem comum. Nessa linha de pensamento, pode-se inferir que a conjectura de Kant se opõe a realidade atual, pois o setor noticiário cada vez mais tende a exibir reportagens com objetivo de chamar atenção e provocar audiência, por meio de títulos polêmicos. Desse modo, este meio de comunicação, perde sua finalidade informacional e verídica, caracterizando, desse modo, como uma ausência de profissionalismo, é logo considerado antiético nesse setor. Em suma, é evidente que a teoria de Kant comprova o impasse.

Ademais, é incontrovertível que as constantes hipérboles deturpam o senso crítico da sociedade tupiniquim. Paralelamente, segundo o filósofo Pierre Bourdieu, os meios de comunicação têm um grande poder de induzir o público. Nesse sentido, pode-se afirmar que as notícias exageradas empregadas, muitas vezes, sem a imparcialidade corrobora para uma espécie de manipulação. Exemplo desse fato, pode-se citar o Departamento de Imprensa e Propaganda(DIP), criado no governo de Getúlio Vargas, o qual atuava com o objetivo de influenciar a população através do poder midiático. Logo, é evidente tal mazela persiste ao longo da história canarinha, e desse modo caracterizam-se como obstáculos para um o jornalismo comprometido com a verdade.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar o impasse. Para conscientização da o população a respeito das consequências do sensacionalismo presente no jornalismo, urge que o Ministério da Educação e Cultura(MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais sobre as contantes ações de imparcialidade presente na imprensa, sugerindo ao interlocutor o hábito de buscar fontes de informações de fontes variadas, a fim de buscar a veracidade dos fatos. Somente através desta, e de outras medidas, a sociedade poderá combater tal problemática, estourando a bolha existente, e, desse modo, se afastando da realidade vivida na obra “1984”.