A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 02/10/2019

No século XIX, quando a corte imperial portuguesa se viu pressionada a deslocar-se para o então território colonial do Brasil, iniciou-se o Período Joanino. Marcado por intensas reformas de modernização, esse período também foi conhecido pelo nascimento da impressa brasileira, antes proibida sob a ameaça de disseminação de ideais de independência. Nesse sentido, a jovem mídia, ainda subordinada ao rei de Portugal, apresentava um tímido teor de sensacionalismo, mas, que ao longo dos anos, seria aval na expulsão de D. Pedro I. Entretanto, o uso desse recurso no jornalismo tem representado controvérsias acerca do compromisso da veiculação de informações no Brasil.

Primeiramente, as mídias sociais vivem uma cultura da audiência a qualquer preço, haja vista os esforços para a aceitação do público. Sob essa óptica, títulos sensacionalistas, notícias tendenciosas e parciais são presentes na mídia brasileira. Desse modo, o caso da repórter Mirella Cunha que foi demitida após debochar de um suspeito, evidencia o lado perverso do sensacionalismo. Diante dessa realidade, em consonância com o pensamento do filósofo Byung-Chul Han, é notório que o constante estado de alienação e queda dos valores morais na sociedade está intrinsecamente ligado a um jornalismo parcial e longe dos princípios igualitários.  Acresce-se a isso , a ausência de senso crítico dos indivíduos perante os desvios jornalísticos. Em um mundo regido por pós-verdades, as notícias exageradas e de cunho sensacionalistas sob o disfarce de verdades absolutas, são consequências da valorização de conteúdos regados a emoções.

Por outro lado, a conscientização da sociedade em relação a esse problema tem gerado mudanças na obtenção de notícias. Depois da explosão das fake-news na atualidade, instituições e sociedade tem se tornado cada vez mais capazes de identificarem conteúdos nocivos não só a verdade, como também ao seu teor de exagero. Dessa forma, foi possível reconhecer assuntos que, propositalmente, alteravam fatos para ganhar mais destaque ou foco, ato que proporcionou mudanças benéficas na propagação de informações, como a atualização do Whatsapp que exibe o encaminhamento de mensagens, maioritariamente impressionistas. Assim, a colaboração dos setores de informação vem se unindo para combater o dilema das ramificações que as notícias oferecem à falaciosos.

Torna-se claro, portanto, que a questão sensacionalista da imprensa brasileira necessita de profundas adaptações. Para tal, urge que Governo e sociedade exijam imparcialidade da mídia - de forma a denunciar propagandas viciadas e a adotar medidas de verificação de vericidade -, através da regulação de medidas contra a ideologia implícita e da correção de títulos mal colocados em nota.