A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 22/10/2019

“Na era da informação,a invisibilidade é equivalente à morte” era o que defendia o filósofo Zygmunt Bauman.Tomando como verdade essa afirmação,é possível relacioná-la com a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro que ocorre na forma de apelações emotivas ou com fatos intencionalmente omitidos.Essa situação tem origem na busca pela audiência com o intuito de atrair lucros com a publicidade e,também,na relação cultural da população do país com as informações que circulam nas mídias.

A priori,é possível destacar o modelo consagrado de programas policiais que apresentam os fatos de forma dramática com recursos de narrativas ficcionais incluindo um “clímax”,muitas vezes,acompanhado de pré julgamentos,sem a presença dos fundamentos jornalísticos baseados no Código de Ética.Como consequência disso,há a perpetuação ,na sociedade,de um estado de terror que incita o ódio e respostas conservadoras para assuntos complexos relacionados à segurança pública e o encarceramento em massa,esse,com claro recorte racista e classista em sua composição.Soma-se a isso,o processo do recebimento passivo de informações por parte da população,que mesmo com mais agentes comunicadores,assume uma postura pouco crítica à muito do que lhe é apresentado.

Em segunda análise,atenta-se para o resultado de uma pesquisa realizado pelo Instituto Reuters que demonstrou que mais da metade do brasileiros entrevistados acreditam nos fatos apresentados pelos meios de comunicação.Essa conclusão,pode ser comprovada,ao longo da história do país,em episódios como a divulgação do falso Plano Cohen,usado para dar início à Ditadura de Vargas,mais tarde,com o apoio da imprensa à manutenção do Golpe Militar em troca de acordos financeiros com emissoras e,mais recentemente,na divulgação de editoriais contribuindo para a ideia de que o processo de impeachment seria positivo para a economia ,levando em conta,em sua maioria,apenas o lado das classes mais privilegiadas.

Em suma,é possível inferir com os fatos supracitados que se faz necessário que as organizações defensoras dos interesses dos jornalistas se posicionem contra o modelo sensacionalista,apoiem aqueles que seguem o Código de Ética da classe,por meio de,palestras que discorram sobre o assunto e exijam transparência nas relações entre veículos de comunicação com determinados segmentos sociais,a fim de,garantir maior imparcialidade no que é noticiado.Ao mesmo tempo,é preciso que a população procure confrontar as informações de meios tradicionais com o de jornalistas independentes analisando-os criticamente,com o intuito de,formar uma opinião mais embasada sobre questões importantes do seu cotidiano.