A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 16/10/2019

Na década de noventa, em Nova Iorque, ocorreu o movimento “jornalismo amarelo”, no qual jornalistas aplicaram todas as formas de sensacionalismo em suas matérias, com o intuito de aumentar a circulação das notícias. No Brasil contemporâneo, observa-se o apelo sensacionalista presente nos meios de comunicação, que tem como objetivo causar impacto no telespectador e leitor, para manipulá-lo a acessar alguma mídia. Por isso, torna-se necessário o debate acerca da presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Primeiramente, é notável que o sensacionalismo tem como objetivo principal o lucro. Segundo pesquisas da Fundação Pró Livros, o número de leitores caiu 9,1% no país nos últimos quatro anos. Em decorrência desse fato, gerou-se um apelo por parte dos escritores, e para venderem suas notícias, utilizam efeitos retóricos para atrair os leitores, como no movimento “jornalismo amarelo”, em Nova Iorque. Dessa forma, apresentam fatos distorcidos ou completamente modificados, sem levar em consideração o impacto cultural causado na sociedade.

Em segundo lugar, o leitor é manipulado a partir de exageros, apelos a emoções e falta de objetividade das notícias. Conforme o conceito de “Indústria Cultural”, dos filósofos Adorno e Horkheimer, a internet oferece produtos que promovem uma satisfação compensatória, efêmera e que agrada aos olhos dos seres humanos. Tal preceito afirma que, por influência dos fatores coercitivos, o usuário passa a ter um comportamento alienado e acrítico. Dentro do contexto real, o indivíduo, sem perceber, é induzido a entrar em determinados sites, devido a vocábulos atraentes e tipografias admiráveis que aparece em seus dispositivos conectados.

Torna-se evidente, portanto, que a questão do sensacionalismo brasileiro precisa ser revisada. O Congresso Nacional deve formular leis que limitem apelos e exageros em títulos de notícias, por meio de direitos e punições aos que descumprirem, a fim de acabar com essa imposição apelativa. As escolas, em parcerias com as famílias, devem inserir a discussão sobre esse assunto tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por intermédio de palestras, com a participação de especialistas que debatam acerca de como agir diante do sensacionalismo, com o objetivo de desenvolver, desde a infância, a capacidade do pensamento crítico sobre tais apelos. Feito isso, o conflito vivenciado em Nova Iorque não será mais uma problemática.