A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 19/10/2019
O jornalismo, entre outros meios de comunicação, sempre teve forte influência na população do Brasil. Em tal ótica, Getúlio Vargas, por possuir uma postura ambígua frente ao seu mandato, foi duramente criticado pelo seu principal opositor, Carlos Lacerda, que tinha o próprio jornal para abordar diversos assuntos que envolviam o presidente. No entanto, em infinitas situações, a notícia era sintetizada de forma pejorativa, havendo influência ideológica. Atualmente, esse fenômeno continua ocorrendo, em que os brasileiros enfrentam, todos os dias, o sensacionalismo e busca incessante por cliques.
Outrossim, John Rawls criou o termo “véu da ignorância”, no qual consiste na imparcialidade que responsáveis pela esfera pública devem possuir, ignorando suas particularidades. Nessa perspectiva, aplicando na realidade jornalística, pode-se notar que a parcialidade leva o indivíduo ao sensacionalismo, pois, a partir do momento que seus ideias mudam a essência da informação, fica claro o objetivo de influenciar o leitor a seguir seu posicionamento ideológico, sendo o ponto de partida à desinformação, por meio de títulos chamativos e mentirosos para chamar atenção do público.
Além disso, Adorno e Horkheimer abordam a massificação da “indústria cultural” como fonte da padronização de pensamentos, fazendo a população perder sua capacidade de julgamento crítico perante diversas situações reproduzidas pelos meios de comunicação. Segundo pesquisas feitas pelo Instituto Reuters, 60% dos entrevistados no Brasil confiam nas notícias vinculadas pela empresa de comunicação que acompanham, assim, a possível confiabilidade excessiva por uma única fonte informativa é a causa da alienação do indivíduo, podendo ocorrer a manipulação dos fatos com maior facilidade.
Em suma, é evidente a necessidade da averiguação ética jornalística e conscientização popular para amenizar seus impactos sociais. Portanto, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação deve promover uma entidade de classe gerida pelos próprios jornalistas, permitindo-os discutir sobre até que ponto determinada notícia está coerente com a ética, e, com ajuda da pressão popular, exigirem mudanças na postura do autor. Por fim, é indispensável que o Governo Federal faça propagandas na TV e Internet, alertando a população sobre as problemáticas que envolvem o acesso de uma só fonte de informação.