A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 23/10/2019
Criada para ser uma ferramenta de informação e liberdade de expressão, o jornalismo, ao longo da história, desempenhou papel fundamental em nações democráticas, em especial, no Brasil. No período colonial, por exemplo, o noticiário foi trazido ao país por D. João VI, e tinha a função de imprimir documentos, decretos, livros, etc. De modo análogo, mais de um século após sua chegada em terras tupiniquins, o jornalismo nacional sofre com um lamentável cenário de exploração sensacionalista, que serve a interesses privados e carece de qualidade informativa. Assim, é lícito afirmar que tal sensacionalismo deriva da busca por lucro das empresas de comunicação, além de configurar-se um instrumento de alienação do indivíduo.
Em primeiro plano, nota-se, por parte de emissoras de televisão, que conteúdos sensacionalistas são um sucesso comercial. Essa lógica é comprovada pelo número excessivo de programas policiais existentes na TV brasileira, que geram audiência considerável e atraem grande parte da parcela dos anunciantes. Nesse sentido, ao perceber os montantes financeiros gerados por conteúdos dessa natureza, a mídia investe massivamente em atrações televisivas sangrentas e animalescas que, muitas vezes, exploram a tragédia alheia em detrimento de produzir um conteúdo de qualidade. Desse modo, o jornalismo brasileiro cede a uma cultura sensacionalista, que nada contribui para o país. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Outrossim, é imperativo pontuar que a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro atua também como um recurso de alienação do sujeito. Por esse ângulo, ao consumir em excesso produções que explicitam violência e demais aspectos negativos da sociedade, o indivíduo é levado a acreditar que o meio social se resume ao que é mostrado na tela, e transforma-se, dessa forma, em uma espécie de ‘‘marionete’’ da grande mídia sensacionalista. Sob esse aspecto, Theodor Adorno, filósofo alemão, construiu o conceito de ‘‘Indústria Cultural’’, ideia que explicita a ilusão criada pelos meios de comunicação, sempre dispostos a trabalhar para aqueles que detém o poder.
Infere-se, portanto, que o sensacionalismo na imprensa nacional é motivado por ganhos financeiros e manipulação de pensamento. Posto isso, o Ministério Público Federal, enquanto órgão máximo de fiscalização no Brasil, deve, por meio de amplo debate entre imprensa, Estado e sociedade civil, questionar a real necessidade de matérias e atrações sensacionalistas - como programas policiais - a fim de criar uma consciência cidadã na imprensa que realiza esse tipo de trabalho. Ademais, tal órgão deve também, mediante palestras em escolas e universidades, orientar a sociedade civil a respeito de como receber essa avalanche de conteúdo irresponsável.