A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 24/10/2019
O filme “Spotlight” retrata uma grande investigação jornalística de casos de abuso sexual infantil cometidos por padres. Apesar de ser uma ficção, o longa-metragem mostra a importância do jornalismo na solução de problemas que não são devidamente apurados pelas justiça. No entanto, a mídia possui, também, seu lado perverso : a presença do sensacionalismo . Esse processo é um problema atual no Brasil e tem contornos específicos, em virtude da mercantilização das notícias atrelada a sua utilização como ferramenta de manipulação ideológica.
Nesse contexto, é importante ressaltar, a priori, que, no mundo pós-capitalista, as notícias se tornaram uma mercadoria. Sob esse viés, Pierre Bordieu afirma: “Aquilo que foi criado para ser ferramenta de democracia não deve ser transformado em instrumento de opressão”. Entretanto, ao observar o documentário " O Mercado de Notícias " de Jorge Furtado, evidencia-se que a mídia, atualmente, é movida por interesses econômicas e, as notícias, muitas vezes, são interpretadas para gerar impacto e consumo de conteúdo. Como consequência, em vez de informar, imparcialmente, e criar senso crítico na sociedade para o exercício da democracia, como preconizado por Pierre, o jornalismo se entrega aos braços do capitalismo selvagem.
Ademais, a utilização da mídia como forma de coerção ideológica também se torna recorrente no meio jornalístico. Sobre essa perspectiva, Anthony Giddens, sociólogo britânico, defende que a comunicação pode ser uma ferramenta de alienação. Dessa forma, o que se vê, no cenário brasileiro, é a utilização do sensacionalismo, com impacto em massa nas redes sociais, para restringir a opinião pública aos interesses de um grupo restrito. Tal fato é possível já que, segundo dados da ONG Repórteres Sem Fronteiras, no Brasil, mais da metade dos veículos de comunicação são administrados por apenas cinco famílias. Em decorrência, a restrição da visão populacional, em favor de interesses particulares, impede o processo satisfatório do exercício da cidadania.
Fica claro, portanto, que o sensacionalismo jornalístico é uma ameaça ao Estado Democrático de Direito. Dessa forma, é dever das ONGs, juntamente com o Ministério Público e o Ministério da Justiça, promover vídeos e propagandas, a serem divulgados em todas as redes sociais desses órgãos, contendo explicações de profissionais, como sociólogos e psicólogos, sobre as manipulações midiáticas. Tal ação tem como objetivo conscientizar a população para que procure diferentes fontes de informações, sobretudo dos órgãos públicos e de instituições renomadas, além dos jornais. Além disso, as instituições de ensino devem reproduzir os vídeos em aula para informar os alunos acerca dessa problemática. Feito isso, o papel democrático da mídia, como em “Spotlight”, será cumprido.