A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 15/12/2020

O escritor francês Guy Debord disserta sobre a “Sociedade do Espetáculo”, na qual acontecimentos, muitas vezes, tidos como irrelevantes ganham enormes dimensões na esfera social perante a atuação midiática. Nesse contexto, observa-se a presença, atualmente, de um grande sensacionalismo no meio jornalístico brasileiro. Tal problemática possui contornos específicos em virtude da constante disputa por audiência entre “canais” informativos e traz consequências graves, como o aumento da alienação, devido ao reduzido senso crítico da população acrescido da exaltação provocada por esse fenômeno.

Primeiramente, é importante destacar como causa desse sensacionalismo a elevada concorrência, entre os veículos jornalísticos, pela atenção dos espectadores. Isso é observado em jornais impressos de pequena circulação da região metropolitana de Belo Horizonte, por exemplo o “Jornal Super” e o seu rival, o “Jornal Aqui”, em que esses dois meios midiáticos apresentam, constantemente, em suas páginas, manchetes supervalorizadas sobre acontecimentos cotidianos, como a vida de artistas e boletins de ocorrência policial, de forma espetacularizada, a fim de atrair a atenção do maior número possível de leitores e, com isso, vender mais material do que o seu adversário, além de ganhar maior atenção do mercado consumidor local. Essa disputa contribui para o aumento do sensacionalismo vigente, diminuindo, assim, a credibilidade acerca do jornalismo brasileiro.

Ademais, vê-se, consequentemente, a diminuição na vulnerabilidade da população brasileira, em relação ao seu senso crítico, uma vez que esta se torna mais exaltada diante da valorização exacerbada das notícias e, assim, fica mais susceptível a fenômenos devastadores, como as fake news. Segundo dados coletados pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford, 60% dos entrevistados no Brasil possuem plena confiança nas notícias veiculadas pelas empresas de comunicação. Nessa esteira, o sensacionalismo, somado ao reduzido senso crítico da população - que confia nos meios informativos existentes - tende a potencializar o compartilhamento e divulgação de notícias inverídicas, devido ao impulso ocasionada por manchetes supervalorizadas.

Fica claro, portanto, que a intensa disputa por audiência entre os “canais informativos” é responsável pelo sensacionalismo existente, o que traz grandes consequências para a população brasileira. Dessa forma, medidas devem ser tomadas a fim de combater esse fenômeno. Para isso, a conscientização da população é o melhor caminho. Assim, o governo federal deve, por meio de verbas governamentais, elaborar propagandas televisivas, em horários de grande audiência, com o objetivo de instruir o público a respeito dessa problemática, bem como ressaltar a importância do senso crítico mediante informações divulgadas de forma exaltada e, com isso, coibir com a espetacularização informativa.