A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 28/10/2019

Um tema que gera diversas discussões atualmente é a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro. Certamente, a presença desse radicalismo é muito tendenciosa, já que o jornalismo deve ser neutro ideologicamente até que todos os fatos ligados a uma notícia sejam esclarecidos. Como alguns jornalistas nem sempre agem assim, estes acabam transmitindo suas opiniões de forma velada por meio de notícias partidárias, na tentativa provável de manipulação comportamental dos interlocutores.

Em primeiro lugar, é inegável que o sensacionalismo possui fundamentação ideológica. O próprio Código de Ética Brasileiro exige dos jornalistas neutralidade ideológica até que as notícias sejam esclarecidas, sendo exigido que não apresentem suas opiniões em notícias televisionadas, gravadas ou escritas. Logo, o destaque excessivo de casos noticiados, bem como a humilhação dos envolvidos numa reportagem, apresenta, veladamente, a opinião do jornalista, já que este deve saber que essa conduta é inconstitucional e anti-ética. Um exemplo que comprova essa ideia é um caso registrado no jornal televisivo Brasil Urgente em outubro de 2019, quando o “âncora” do jornal expressou sua opinião sobre um acusado de abuso sexual e agressão física sem provas concretas das infrações, humilhando e julgando o incriminado por meio de agressões verbais.

Em segundo lugar, o sensacionalismo também contribui com a manipulação comportamental da sociedade brasileira, pois esta se torna facilmente alienável por meio daquele. Essa alienação é notória, porque, tendo os jornalistas analisado uma temática com mais antecedência do que a maioria das pessoas, a manipulação de suas ideias e condutas é potencialmente facilitada no ato da reportagem. Ou seja, esses indivíduos se apresentam numa condição de vulnerabilidade informativa em relação aos responsáveis pelo jornalismo brasileiro. O próprio George Orwel, jornalista e escritor, afirma que os meios de comunicação envolvidos na apresentação de notícias podem interferir no comportamento das pessoas que os utilizam, o que corrobora a tese defendida.

Portanto, propostas de intervenção que amenizem o sensacionalismo jornalístico devem ser tomadas. Cabe aos jornalistas a criação de grupos de análises das notícias a serem apresentadas, para que sejam discutidas as melhores maneiras de apresentá-las sem excessivo partidarismo e os envolvidos revejam suas próprias condutas no meio profissional. Isso pode ser feito por meio de exemplificações de casos de sensacionalismo, bem como pela exposição do próprio Código de Ética. Cabe, também, ao Ministério da Defesa fiscalizar notícias que apresentem humilhação e exacerbada expressão de opinião de repórteres. Dessa forma, eles apresentarão neutralidade ideológica na exposição de notícias, e a sociedade não será facilmente alienável.