A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 01/02/2020

O sensacionalismo midiático é uma ferramenta histórica no Brasil, fortemente utilizada antes mesmo da ascensão tecnológica e, muitas vezes, com o objetivo da alienação em detrimento das ‘‘fake news’’. Sob esse viés, foi criado em 1939 o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) que, ancorando-se em mecanismos de comunicação, teve como finalidade difundir as ideias de Getúlio Vargas, bem como as ideias que norteariam a sua atuação. Hodiernamente, o jornalismo brasileiro em busca da audiência, usa da emotividade inerente ao estilo sensacionalista para influenciar uma sociedade crédula.

Em primeira análise, vale ressaltar que o sensacionalismo das mídias gera problemas, muitas vezes, irremediáveis ao corpo social. Nessa óptica, cresce a disseminação de notícias norteadas pelo capitalismo, visando apenas o lucro e despreocupadas com a sua influência sobre os espectadores. Acerca disso, Rousseau nos expõe que o homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se à ferros, nos permitindo contextualizar a contemporaneidade, onde homem, certo de sua liberdade individual, se vê gradativamente refém da exacerbada emoção presente nos objetos de comunicação.

Ademais, o estilo sensacionalista encontra apoio nas relações fragilizadas encontradas na sociedade, tal como Zygmunt Bauman explicitara nas suas teses sobre modernidade líquida. Nesse sentido, é notório que, o século XXI, devastado pelas fake News e inverdades disseminadas pelo meio comunicador, tornou-se cenário ideal da persistência desse sensacionalismo, já que a verdade, na atualidade, perdeu força perante o conforto das aparências. Dessa forma, evidencia-se que a conexão entre o homem e sua forma de relacionar-se sustentam essa nova realidade, que descaracteriza e secundariza as verdades, abrindo espaço para a vulgarização do jornalismo no país.

Portanto, pode-se concluir que tal cenário de extremo sensacionalismo midiático infere mudanças, partindo-se de uma combinação entre o Estado e os cidadãos, para que estes obtenham um olhar mais crítico perante o bombardeamento de notícias, e aqueles imponham duras sanções econômicas e jurídicas aos envolvidos no desserviço jornalístico, que aliena e propaga falsas notícias. Além disso, a sociedade como um todo deve analisar e selecionar publicidades feitas acerca de um ideal, para que não sejamos enganados como nossos antepassados foram pelo DIP de Vargas.