A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 25/03/2020

Em 1808, com a chegada da família real no Brasil, Dom João VI incentivou o nascimento da imprensa no país, que atuava com cautela e censura durante o período. No entanto,séculos se passaram e, atualmente, a mídia tem o poder de veicular assuntos ousados de forma exagerada, com o objetivo de impactar e chocar o público. Nesse sentido, é correto afirmar que o sensacionalismo no jornalismo brasileiro colabora em peso para o crescimento econômico das empresas deste ramo, todavia, traz graves consequências morais para a sociedade.

Em primeira análise, é necessário citar a principal causa que estimula a divulgação de notícias sensacionais: o lucro. A esse respeito, o sociólogo Karl Marx afirma que o modo de produção vigente determina as características da comunidade. Assim, a teoria de Marx se aplica à realidade, pois, em um país capitalista como o Brasil, as empresas midiáticas extrapolam a criatividade e impacto nas manchetes dos jornais, com assuntos fortes sendo abordados de forma dramática e trágica, a fim de obter maiores vendas nas bancas e visibilidade nos meios de comunicação, fatores que geram maior circulação de capital nessas entidades. Porém, enquanto o sensacionalismo fomentado pelo lucro persistir, o jornalismo não atingirá o objetivo de transmitir informações com integridade e seriedade.

Em segundo lugar, é válido lembrar que Platão, em sua obra “Ética a Nicômaco”, afirma que o dever moral sempre deve nos impor a preferir a verdade. Entretanto,a imprensa vai contra à ideia do filósofo grego,uma vez que,ao veicular casos de maneira sensacional e apelativa,essas instituições omitem dados relevantes e , muitas vezes, não se preocupam com a veracidade de alguns fatos . Nessa lógica, tal situação pode ser observada na prisão de Michel Temer, em 2019, época em que os canais de comunicação omitiram que o ex- presidente permaneceu apenas 6 dias encarcerado, com o intuito de provocar mais choque na população.

Logo, não é coerente que as empresas midiáticas afetem sua moral ao perderem seu compromisso com a verdade e a transparência das notícias. Portanto, fica evidente que o ramo jornalístico obtém altos lucros com o sensacionalismo, mas ferem sua ética e sua responsabilidade com a comunidade.Para resolver essa questão, o Estado, como máxima instituição social, deve se unir a sociedade para exigir a imparcialidade da mídia, por meio de denuncias a manchetes e títulos apelativos e da fiscalização da veracidade dos dados veiculados. Essa ação tem a finalidade de impedir que a busca por maior capital, descrita na sociedade capitalista por Marx, seja priorizada em relação á preocupação com a qualidade das informações. Dessa forma, a população brasileira estará consciente dos acontecimentos no país e no mundo de forma respeitosa e íntegra.