A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 07/04/2020
Benjamin Day, empreendedor relevante no jornalismo moderno, fundou o New York Sun, estabelecendo o formato de imprensa conhecida como “penny papers”, jornais com um sexto do preço praticado pela concorrência. Dessa maneira, como estratégia mercadológica, o sensacionalismo de crimes e histórias populares tinha como visão atrair amplas audiências, o que contribui para transformar a notícia em produto. Contudo, tal sensacionalismo traz consequências, tal como a manipulação dos consumidores e o sentimento de normalidade cotidiana das notícias veiculadas.
Em primeira óptica, é válido ressaltar que a falta de imparcialidade das organizações midiáticas tem como resultado a manipulação. Nesse viés, ao analisar a Indústria Cultural, elaborada por pesquisas de Adorno e Horkheimer, é conclusivo que a mídia atua como formadora de opinião, objetificando os indivíduos e retirando sua autonomia consciente. Por conseguinte, há uma alienação e limitação do pensamento da sociedade, tornando-os produtos para a ferramenta de mercado.
Sob outro prisma, é inerente destacar que a massificação desproporcional que se centra prioritariamente na cobertura de fatos violentos contribui para sua normalidade. Para isso, é pertinente a teoria da banalidade do mal, produzida pela filósofa Hannah Arrendt, que defende a ideia de que, quando uma atitude violenta ocorre com frequência, essa passa a ser encarada como trivial. Dessa maneira, as notícias violentas viabilizadas constantemente tornam-se parte do cotidiano do indivíduo, que ao invés de se espantar, torna a situação normal, impossibilitando a reflexão acerca do problema.
Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de minimizar o sensacionalismo midiático. Logo, cabe ao Ministério das Comunicações, aliado ao Ministério Público Federal, atuar na regulamentação da mídia, por meio da maior fiscalização do cumprimento do Art.11 do Código de Ética dos Jornalistas, que expõe o dever de não divulgar informações sensacionalistas. Dessa forma, será possível uma maior transparência das notícias midiáticas. Só assim, será possível que a mídia, assim como os “penny papers”, atuem na democratização e imparcialidade das informações, de encontro com o sensacionalismo contemporâneo.