A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 27/03/2020

Francis Bacon, filósofo empirista, foi o primeiro estudioso a elaborar um método de estudo racional. Ele acreditava no método indutivo puro, o qual,  se usado corretamente, um estudo ou pesquisa poderia ser dirigido sem qualquer parcialidade. John Locke, por sua vez, o criticou afirmando que seria impossível se desvincular de todos os preceitos, experiências e interesses por maior que seja o esforço. Ele defendeu um método de estudo mais sóbrio e realista, no qual se baseia a ética jornalismo atual, que busca a neutralidade, mas reconhece o limite humano em questão. Entretanto, tal princípio é radicalmente transgredido quando analisa-se a imprensa brasileira. Nesse contexto questões sociais e políticas devem ser postas em vigor a fim de serem devidamente debatidas e compreendidas.

Em primeiro lugar, é pertinente ressaltar os impactos negativos que o sensacionalismo na impressa traz ao comportamento dos indivíduos na sociedade. Sob esse viés, a espetaculização da notícia não propicia a análise crítica e profunda que seria necessária para se chegar a veracidade e profundidade dos fatos. Amiúde, o que realmente ocorre é a adoção de um estilo trágico e o esvaziamento do criticismo jornalístico para agradar o público, que se satisfaz e se diverte com o show criado. Tal contexto é análogo à Política do Pão e Circo criado na Roma antiga a fim de distrair a população dos problemas sociais e da miséria vivida por ela na época. As pessoas se reuniam nos coliseus de onde assistiam os escravos do império que eram obrigados a lutar e a morrer enquanto eram aplaudidos.              Outrossim, há ainda o sensacionalismo mais implícito, que busca um resultado menos óbvio do que simplesmente o lucro e a vantagem mercadorial. Nesse sentido há uma seleção de fatos e dados que confere a essas emissoras um viés ideológico frequentemente político e econômico. Com efeito, tal postura entra em conflito com a ética do exercício da profissão jornalística, a qual, a verdadeira preocupação deveria ser informativa e não coercitiva. Como consequência, temos a alienação do público que se encontra ignorante em relação ao panorama completo da realidade. Acerca disso, se o indivíduo se abster a uma única fonte de notícias ele se tornará cada vez mais susceptível à manipulação de seu comportamento e escolhas favorecendo a mídia e sua tendência imparcial.

Em síntese, medidas devem ser efetivadas a fim de mitigar as consequências do sensacionalismo na mídia informacional. Para tanto, as instituições escolares, que são responsáveis pela edução e desenvolvimento crítico de seus alunos, devem promover intervenções que promovam as mudanças necessárias. Para isso é necessário que seja implantado na base curricular discussões em sala de aula no intuito de desenvolver, desde cedo, a consciência já estabelecida em Locke, promovendo mais cuidado, seleção e segurança ao usar os meios de comunicação de massa de notícias e informação.