A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 12/05/2020
O termo “Relativismo Cultural” foi criado pela antropologia no começo do século XX e tem por significado que nenhuma cultura é superior a outra e cada uma deve ser entendida dentro do seu próprio contexto. De maneira análoga, na ótica hodierna, é esperado que a imprensa brasileira informe ao seu público quais são os fatos a respeito de uma situação, sem distorcê-los ou privilegiar alguma perspectiva. Entretanto, na realidade, diversos noticiários escolhem modificar ou sensacionalizar alguma informação, visando somente a polemizar e a criar apelações emotivas, sendo um obstáculo na garantia de informações imparciais. Por conseguinte, cabe analisar quais são os fatores e efeitos dessa problemática.
Em primeiro plano, é preciso dizer que o advento do capitalismo trouxe diversas mudanças no mundo econômico e social. Nos dias atuais, empresas buscam maneiras de aumentar os seus lucros. Dessa forma, nas companhias jornalísticas não é diferente, a mídia depende de patrocinadores para existir e necessita de uma grande audiência. Nesse ínterim, ela apela para os conteúdos sensacionalistas, que atraem mais leitores ou espectadores e, consequentemente, mais anunciantes, obtendo um crescimento na sua receita. Por isso, a distorção dos acontecimentos feita pelos jornalistas do Brasil consiste em uma forma de conseguir maior atenção do público, ampliando sua plateia e o seu lucro com a publicidade, seguindo a lógica do sistema capitalista de mercado.
Ademais, há uma grande influência dos meios de propagação de informações na sociedade e cultura brasileira. Dessa maneira, de acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Reuters da Universidade de Oxford, na Inglaterra, mais da metade dos entrevistados no Brasil confiam nas notícias veiculadas pelas empresas de comunicação para informar-se. Nesse contexto, com o crédito que a população dá à mídia, há um crescimento das notícias de caráter espetacular circulando pelo país, além da formação de um público mal informado. Destarte, as modificações feitas nas informações na tentativa de atrair o público têm impacto na esfera intelectual brasileira.
Portanto, os fatores que condicionam a existência do sensacionalismo midiático e suas consequências devem ser amenizados. Sendo assim, é necessária a atuação do governo federal - órgão responsável pelas políticas públicas - , por meio da criação de propagandas em jornais e nos canais televisão que alertem os brasileiros a respeito do que o sensacionalismo representa e das “fake news” que circulam pelos meios de comunicação, a fim de mitigar os efeitos dessa problemática. Desse modo, espera-se que a consciência sobre esse assunto prevaleça no país.