A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 27/04/2020

Durante o Estado Novo foi criado o Departamento de Imprensa e propaganda  (DIP) responsável por aperfeiçoar o uso dos meios de comunicação como instrumento elogioso e disseminador de sentimentos nacionalista.Não obstante, hodiernamente , a presença de um jornalismo tendencioso e de cunho apelativo reverbera e precisa ser revertido. Nesse viés , a necessidade radical de mercantilização da informação e a confiança depositada nos fatos noticiados corroboram para a persistência do sensacionalismo no cenário jornalístico atual.

A princípio , é valido ressaltar que a prática sensacionalista é entendida como uma maneira de fazer notícia  ditada por interesses mercadológicos. A esse respeito , em sua obra “O Capital da Notícia” , Ciro Marcondes Filho defende que a notícia é um produto da mídia  algo extremamente comercial,  o envolvimento do público garante a audiência  e por consequência o faturamento do veículo. Dessa forma, as notícias apresentadas  como shows exploram o sentimentalismo e transformam os fatos sociais em diversão, esvaziados da crítica do jornalismo o que eleva o consumo e o estado de alienação dos indivíduos.

Além disso, é evidente que o  excesso de confiabilidade da população nos jornais agrava a problemática. Segundo uma pesquisa realizada pelo o Instituto Reuters, 65% dos brasileiros confiam plenamente em todo o conteúdo veiculado pela empresa de comunicação. Nesse aspecto, dominados pela intensa credibilidade depositada no jornalismo os indivíduos entram em conflito ao tentar impor seus pontos de vistas , considerando -os sempre sob influência da mídia , verdades indubitáveis. Desse modo, sem uma discussão racional , a população permanece em uma bolha intelectual limitada a uma única vertente ideológica, cuja autenticidade não é sempre assegurada.

Infere-se , portanto, que a questão  sensacionalista da imprensa brasileira necessita de profundas adaptações.Sendo assim, o Governo Federal deve exigir imparcialidade da mídia jornalística de forma a adotar medidas de verificação de veracidade. Por meio da criação de comitês regulamentadores compostos por um grupo jornalistas que defende de forma fidedigna o código de ética da profissão, pelos quais toda notícia deve passar antes de ser publicada, a fim de corrigir a ideologia implícita e a imparcialidade dotada de interesses. Assim,com  a consolidação de uma imprensa livre de dogmas ideológicos será possível a formação de uma sociedade mais engajada e consciente acerca do mundo ao qual esta inserida . Com efeito, o desenvolvimento do jornalismo brasileiro será fiel seu compromisso diferente do ocorrido durante o Estado Novo.