A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 22/04/2020
Na Roma Antiga os duelos até a morte entre gladiadores no Coliseu eram usados como espetáculo para o público. De maneira análoga, atualmente, a morte continua sendo espetáculo para a mídia sensacionalista, que para atrair atenção do público abre mão do compromisso com a verdade e o dever de informar, o que gera a desinformação e transforma a tragédia em espetáculo midiático.
Em primeira análise, cabe ressaltar que para atrai mais leitores e telespectadores diversos jornais tem publicado noticias sensacionalistas. Dessa forma, a intenção do sensacionalismo é cativar os olhos do público, haja vista que noticias violentas chamam atenção. Nesse sentido, mesmo que Gutenberg, o inventor da imprensa no séc XV, tenha criado a mesma para difundir a informação essa não é mais a realidade atual, pois as noticias circulam por todos os meios de comunicação sem informar por conta do sensacionalismo. Portanto, a mídia sensacionalista perdeu seu compromisso em informar a população de forma transparente e verdadeira, e usa de de artifícios como linguagem hiperbólica para enganar o público e garantir as vendas.
Ademais, esta perda de compromisso com a verdade que a mídia brasileira enfrenta gera consequências como a desinformação da população e a espetacularização da tragédia. Dessa maneira, por mais que o jornalista americano Abbott Joseph tenha citado que a função da mídia na sociedade é informar, o que acontece é justamente o oposto, posto que as noticias manipuladas desinformam a população. Portanto, ao estar constantemente exposto a matérias sensacionalistas, o indivíduo perde a noção do que de fato é verdade, além de criar um contexto de normalização da violência. Sendo assim, a mídia brasileira sensacionalista traz consequências sérias para a sociedade, visto que torna a barbárie comum e até atrativa para o consumo do público, da mesma forma como ocorria na Roma Antiga onde os duelos no Coliseu e a violência eram atração e espetáculo para os cidadãos .
Em suma, urge a necessidade do Ministério Público Federal criar normas para regular o sensacionalismo na mídia, por meio da criação de órgãos que verifiquem a veracidade e clareza dos fartos publicados nos meios de comunicação, o que censuraria apenas noticias falsas e exageradas, para que sejam publicadas menos matérias que desinformem a população e criem espetáculo entorno da violência. Além disso, cabe a população brasileira parar de consumir jornais e revistas divulguem tal tipo de conteúdo, para desestimular a publicação e mostrar que o sensacionalismo não é o que o consumidor procura.