A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 26/04/2020

Assim como nos tempos de exibição de lutas e massacres no coliseu romano, os jornais sensacionalistas modernos utilizam da espetacularizção da violência para chamar a atenção do seu público. Tornou-se cotidiano no Brasil notícias de acidentes e mortes violentas, as inúmeras vítimas e escândalos políticos foram naturalizados e não causam reação de surpresa ou de comoção. Ademais, os jornais, por serem os principais meios de informação da sociedade, são responsáveis pela qualidade das informações e devem manter a transmissão dessas o mais imparcial possível.                                       Em primeiro lugar, é válido comentar a influência do jornalismo sensacionalista sobre população. Segundo a socióloga Hanna Arendt, em sua teoria da banalização do mal, há a possibilidade de pessoas comuns realizarem ações anti-éticas sem saberem o mal que estão causando. Tal análise social, tem como base a naturalização da violência e da corrupção, fatores que ao serem transmitidos de forma constante são enraizados na sociedade e transformados em atos comuns. Portanto, o grande volume de sensacionalismo e a extra-valorização dos atos criminalísticos fornecem á população, diariamente, notícias que aos olhos da ética e das leis seriam repugnantes, mas que foram banalizados. Cocomitantemente a isso, os telespectadores passam a aceitar tal realidade de coisas ruins e assimilam tais atos as suas vidas, auxiliando para gerar uma sociedade mais violenta e corrupta.               Em segundo lugar, é importante ressaltar o papel do jornalismo para a sociedade. Levando em consideração o sociólogo da escola de Frankfurt, Walter Benjamim, os meios de comunicação são essenciais para a conscientização da sociedade e servem como canal de transmissão de conhecimentos que antes não eram acessíveis ás camadas mais humildes. A partir disso, fica claro que as empresas jornalisticas precisam adotar uma postura imparcial quanto aos fatos divulgados, pois possuem grande poder influenciador sobre a população. Com isso, conjugando o pensamento de Arendt e de Benjamim, o jornalismo sensacionalista priva os espectadores de realizarem seus próprios pensamentos acerca do assunto fazendo-os absorver o assunto e acabar por naturalizar este.                    Por fim, é notório que o jornalismo sensacionalista é prejudicial para o desenvolvimento social. Portanto, para curto prazo, é necessário que o Estado, como instituição administrativa do país, mitigue o sensacionalismo por meio de leis que diminuam a quantidade de conteúdos violentos, com o intuito de minimizar a naturalização desses atos. Para longo prazo, é necessário que o Ministério da Educação, como instituição mediadora do ensino no país, incentive escolas públicas e privadas a educar os alunos a saber analisar as situações apresentadas pelos meios de comunicação, através de aulas de interpretação informacional, para que estes não banalizem o mal que lhes é aresentado.