A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 04/05/2020

Paralelo à obra de Maquiavel, o sociólogo Octávio Ianni escreveu “O príncipe eletrônico”, nesse texto, a nação seria governada não por um líder, mas pela mídia. Contudo, esse meio de comunicação vem perdendo credibilidade e autenticidade, impulsionado, sobretudo, pela sociedade do espetáculo, no qual notícias são apresentadas como grandes acontecimentos, mexendo sempre com os sentimentos dos telespectadores, e por a ideia de Indústria Cultural, já que as informações visam, em alguns casos, o lucro.

A princípio, é válido ressaltar do crescimento da imprensa e sua função vital de difusão de notícias à população, entretanto, jornais televisionados, como, a título de exemplo, os programas policiais, utilizam-se do sensacionalismo, propagando informações que chocam à opinião pública, manipulando suas emoções, e, consequentemente, impossibilitando-a de formular um pensamento crítico a respeito dos noticiários, e ainda, fazendo uso do desrespeito aos direitos humanos, como mostra a pesquisa do jornal Carta Capital, que ao analisar tais programas, viu que, dos direitos feridos, estão a incitação ao crime e violência, exposição indevida de pessoas e tortura e tratamentos degradantes.

Segundo Karl Marx, em seu conceito de Materialismo Histórico, “Nossas ações e pensamentos são determinados pelo meio de produção ao qual estamos inseridos”, desse modo, essa célebre frase demonstra que o sistema capitalista, concomitantemente com o objetivo de lucro, deu aos meios de comunicação o arcabolso sociológico de Cultura de Massa, uma vez que, os relatos visam a usura e o aumento da audiência, e atrelada à Industria Cultural, baseia-se em catástrofes, polêmicas, politicagem e fofocas, a qual não difundem informações fidedignas e contribui para o processo de alienação e banalização do sofrimento.

Na música “Brasil! Mostra tua cara” de Cazuza, no trecho, “Ver TV a cores na sala de um índio programada para só dizer sim”, demonstra a constante influência da mídia sobre as pessoas. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação, em parcerias com as escolas, a criação de uma disciplina, que envolvendo os alunos e suas famílias, seja munida de aulas e oficinas com o fito de mostrar e instruir sobre os meios midiáticos e seus veículos, deixando-os aptos a discernir o que são notícias necessárias e sensacionalistas. E assim, com medidas graduais e progressivas, diminuir a alienação e evitar que o texto de Octávio Ianni seja um espelho da sociedade brasílica.