A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 05/05/2020
Durante o fim do século XX, a presença de um novo sistema econômico, o liberalismo, no cenário mundial intensificou o capitalismo, influenciando diretamente na maneira de se produzir e vender o jornalismo. Nota-se como principal estratégia de venda desse produto a divulgação exagerada de notícias que causam sensação de choque ao público, conhecida como sensacionalismo, que, no Brasil, é vista como fator de morte dos profissionais da área e, também, da infração dos Direitos Humanos.
Em primeira análise, o filme “O Abutre” aborda a questão do sensacionalismo de forma rígida, já que o assistente de Louis Bloom, o protagonista, é morto a tiros enquanto fazia a filmagem de imagens apelativas de um acidente. Dessa forma, é importante observar que esse método de produzir jornalismo pode ser considerado imprudente, uma vez que traz risco de vida para o profissional. Conquanto o Brasil ocupe a quarta posição dos países mais perigosos na atuação área jornalística devido ao sensacionalismo, segundo uma pesquisa do G1, esse método de venda apresenta constante crescimento nos noticiários brasileiros por meio de manchetes tendenciosas, caracterizando a banalização das mortes dos trabalhadores do país.
Além disso, a forma que o sensacionalismo é abordado viola diretamente os Direitos Humanos, posto que inúmeros anúncios recorrem à humilhação ou constrangimento da vítima, retirando-na a dignidade. A maneira que se produz o jornalismo no Brasil se assemelha ao imperativo hipotético de Immanuel Kant, no qual define que as ações são justificadas por um determinado fim ou paixão, ou seja, não importa as consequências, o que deve ser priorizado é o conteúdo produzido. Esse fato deve ser recorrido, pois, embora a Constituição de 1988 assegure a intangibilidade dos valores individuais básicos, o que acontece na prática é totalmente divergente, caracterizando, então, não somente a infração nos Direitos Humanos, como, também, no instrumento de hierarquia máxima do Estado.
Com isso, a utilização do sensacionalismo no jornalismo brasileiro deve ser analisada, dado que as vidas de profissionais jornalísticos e a dignidade dos cidadãos brasileiros são perdidos. Por conseguinte, cabe aos veículos midiáticos a recorrência da venda de um produto ético, por meio da objetividade e imparcialidade para o fim de notícias tendenciosas ou abusivas, não correndo o risco, assim, de violar os Direitos Humanos. Ademais, é importante repensar a segurança do jornalista, não o colocando em situações de trabalho que sejam perigosas, para isso, as empresas devem promover ações que conscientizem a sociedade brasileira acerca do risco da exposição do operário através de programas ou debates coletivos, para que, assim, identifiquem uma situação de risco com antecedência.