A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 10/05/2020

Na obra “A República”, do filósofo grego Platão, é vislumbrado um sistema de governo ideal da pólis, no qual a sociedade seria justa e livre de conflitos e problemas. No entanto, na contemporaneidade, o que se observa é o oposto do que o filósofo prega, uma vez que a espetacularização realizada pela mídia brasileira é um obstáculo. Esse cenário adverso é fruto tanto do sensacionalismo quanto da cultura do consumo. Com isso, torna-se necessária a discussão acerca do assunto.        Precipuamente, é vital pontuar que o sensacionalismo da mídia brasileira varia de acordo com a situação. Dessa maneira, a mídia, muitas vezes, converte algo ruim em pior, ou bom em ótimo, de acordo com o que gera mais audiência e, por conseguinte, mais lucro. Além disso, atualmente, na era computacional, existem os famosos “clickbaits”, que são manchetes sensasionalistas vinculadas a links de acesso, no qual possuem um conteúdo distorcido do contexto da manchete. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura dos meios de comunicação.

Ademais, é imperativo frisar que nos dias atuais existe uma forte cultura do consumo. Segundo o jornalista norte-americano A. J. Liebling, a função da imprensa na sociedade é informar, mas seu verdadeiro papel na sociedade é ganhar dinheiro, portanto, partindo desse princípio, a mídia acaba sempre expondo uma notícia que gere audiência, comoção popular, como se a audiência fosse a “alma do negócio” e não a função de informar com imparcialidade, veracidade e objetividade. Isso retarda a resolução do empecilho, auxiliando para a perpetuação desse quadro deletério.

Urgem, portanto, medidas para resolver o problema exposto. Destarte, cabe ao governo, entidade máxima do poder, realizar medidas que punam, com multas e sanções, as empresas de mídias e comunicações, por distorções de notícias, comprovado por um rigoroso processo de análise minuciosa de seu conteúdo, em um processo jurídico, visando, não a censura, mas uma diminuição da espetacularização da mídia. Com tais medidas, a sociedade, gradativamente, alcançar-se-á a utopia de Platão.