A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 18/05/2020
No caso criminal que teve como vítima a adolescente Eloá, de 15 anos, foi destacado o espírito sensacionalista da mídia brasileira, em que o contexto do sequestro da jovem foi interpretado como um reality show. Nesse sentido, há certa apelação midiática para extrair emoções da audiência, sendo negligenciado a eficiência da informação, com a divulgação de um jornalismo parcial e raso.
Em princípio, de acordo com o escritor Machado de Assis, crítico do sensacionalismo, esse fenômeno transforma a tragédia em espetáculo. Em vista disso, é cobiçado majoritariamente captar a curiosidade do público, por meio do suspense e da manipulação contundente dos casos de criminalidade, fato que aparenta vítimas reais com uma novela trágica. Desse modo, circunstâncias verdadeiras acabam se banalizando, pois a mensagem compartilhada é apenas uma forma de entretenimento.
Outrossim, conforme a pesquisa do Instituto Reuters da Universidade de Oxford, na Inglaterra, 60% dos brasileiros que participaram do experimento confiam nas informações da mídia. Dessarte, a expansão do sensacionalismo impacta diretamente na visão crítica dos cidadãos, por ser uma seção rasa de conteúdos e extremamente parcial. Tendo como exemplo o caso Eloá, em que canais sensacionalistas expressavam que o sequestro da jovem era apenas briga de casal, sem encarar a situação como problemática. Assim, ao estar sujeito de acreditar nesse tipo de informação rasa, o senso comum cresce.
Portanto, é preciso mitigar a problemática, com políticas públicas. Por meio do Ministério da Comunicação, seja elaborado uma lei que reivindique as fontes de informações dos jornais influentes, para que sejam verificadas com base na ética jornalística por meio de profissionais da área, sem que sejam apropriadas como espetacularização da vida, estando sujeito à multas. Desse modo, a sociedade brasileira se transformará em uma nação cada vez mais livre do fenômeno sensacionalista que Machado de Assis criticava.