A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 25/06/2020

Em ‘O jornal e o livro’, do escritor Machado de Assis, há a abordagem do papel do jornalismo brasileiro como formador de opiniões, bem como a crítica veemente das provocações estabelecidas pelo público e pelo jornalista no processo sensacionalista da escrita. Nesse viés, nota-se a presença sensacionalista jornalística como um recurso que anteriormente foi apto a garantir uma maior plateia e que, com o decorrer de décadas, assegura cada vez mais uma alta audiência. Nesse âmbito, percebe-se o engajamento social resultante das manipulações midiáticas, assim como das hipérboles persuasivas.

Em primeira instância, convém ressaltar as múltiplas estratégias de manipulação midiática. Nesse sentido, oferta-se distrações, para que haja uma fuga dos verdadeiros problemas sociais, estimula-se a permanência em ser complacente com a mediocridade, para que exalte a tendência em ser inculto, da mesma maneira que reforça a autoculpabilidade, para que se vincule e se permaneça na zona de conforto, na maioria das vezes, repleta de faltas. Diante desse cenário, Chomsky legitima tal tese pelas ‘10 estratégias de manipulação da mídia’, na qual pontua e define tais fatores, tal como acrescenta a posição favorável em manter o público na ignorância e na mediocridade, em que se gere uma incapacidade de percepção dos métodos e controles que são condicionantes das diferenças de classes.       Em segunda instância, cabe salientar as hipérboles persuasivas utilizadas e destacadas pelo sensacionalismo das publicidades. Nessa vertente, observa-se a recorrência maior do aspecto emocional sobre o aspecto reflexivo, com o fim de acessar o inconsciente e implantar desejos e temores ideológicos, a recorrência em estabelecer um conhecimento acerca da plateia que o contempla, para exercer maior controle e confiabilidade, da mesma maneira que recorre de entonações particularmente infantis, com o propósito de desprover de um sentido mais crítico para com a situação. Dado isso, Chomsky também delibera que tais atitudes sensacionalistas, em principais veículos de comunicação social, designam poder sobre os indivíduos.

Diante do exposto, a medida interventiva mais adequada é estabelecer regras mais rígidas e limitadoras para todo o âmbito jornalístico. Isso poderá ser realizado pelo Ministério Público Federal, com o auxílio do poder Legislativo do país. Isso será viabilizado mediante leis que imponham barreiras judiciais para influências e ações concebidas como moldes e interferências ideológicas. Tudo isso com a finalidade de atenuar as estratégias explicitadas por Chomsky, assim como de inferir ativamente nas reais informações imprescindíveis de ser explicitadas para a população brasileira.