A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 20/06/2020
A distopia 1984, escrita por George Orwell retrata um Estado autoritário que utiliza a manipulação dos fatos para impor convicções no povo. Fora da ficção, a manipulação de notícias é uma realidade no Brasil. Nesse cenário, a alienação e a redução do senso crítico é consequência dos fatores que incitam na persistência da presença do sensacionalismo no jornalismo no país. Assim, é preciso analisar tais fatores com intuito de minimizar os seus impactos negativos.
A priori, a elitização do jornalismo de qualidade, baseado na limitação do conteúdo pelas editoras, isto é, só é acessível a um certo número de assinantes e, a maioria do seguimento social, os quais não têm acesso e não fazem a curadoria das informações que lhe rodeiam podem ser manipulados por fatos distorcidos. Nessa ótica, o sociólogo Pierre Bordieu, em sua obra “Sobre a Televisão”, a imprensa passa a ser um instrumento de alienação. Na medida em que, é notório o uso do “clickbait” - baixa qualidade na informação com o objetivo de obter clicks em cima da machete - feito por jornalistas amadores, cujo o único fim é alavancar o consumo de suas publicações e conduzir inconscientemente quem as acessam.
Consequentemente, o sensacionalismo persiste por causa da falta de compromisso e ética no momento de criação da notícia e da sua publicização, cujo impacto é perceptível pela disseminação cada vez maior de informações falsas. Destarte, Adorno e Horkheimer, pensadores da escola de Frankfurt, caracterizam a sociedade moderna pelo consumo em massa de produtos. Sob esse viés, ocorre a subversão de notícias em bens de consumo, de modo a potencializar a difusão dessas matérias sem verificação e atrai grande contingente social. Prova disso, é um estudo de Oxford, em que 60% dos brasileiros confiam nas informações que circulam pelas empresas de comunicação.
Portanto, faz-se exequível ações para reverter o quadro atual. A princípio, cabe a Secretária Especial da Comunicação Social em união com o Governo, através de verbas governamentais, produzir propagandas na TV e em telejornais, que visem instigar o consumo consciente de notícias e identificação da sua veracidade, para que as pessoas não sejam alienadas. Outrossim, vale para as empresas de comunicação incluso as redes sociais , impor obstáculos para evitar a proliferação de fake news e sensacionalismo, assim como fez o WhatsAap, o qual limitou o número de encaminhamento de mensagem. Ademais, as universidades, devem inserir palestras sobre ética jornalística, com escopo de evitar gafes, no que tange o jornalismo tradicional.