A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 01/06/2020
No ano de 1939, o então presidente do Brasil Getúlio Vargas, criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que tinha a finalidade de centralizar e coordenadar as propagandas nacionais, além de censurar atividades culturais como o teatro. Esse órgão tinha o objetivo também de cultuar a imagem de Vargas, levando a consolidação de seu poder ditador. Tendo em vista esse marco histórico, observa-se o quanto o sensacionalismo jornalístico, plantado há anos ainda se perpetua, e interfere negativamente no verdadeiro papel da impresa.
Em primeira análise, vale ressaltar que os conteúdos retratados em meios de comunicação, podem interferir no comportamento das pessoas. De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, 60% dos brasileiros dizem confiar nos veículos de informações do país. Além disso, a facilidade para se obter uma informação não é novidade na atualidade, devido ao avanço majoritário do uso da internet, com isso, algumas vezes coisas são lidas, comentadas e até mesmo compartilhadas muito rapidamente. Sob esse âmbito, é possível observar a que as empresas jornalísticas devem levar em consideração a responsabilidade necessária ao lançarem qualquer notícia, é imprescindível esse olhar crítico sob o sensacionalismo propagado diariamente.
Em segunda análise, cabe citar o episódio em que a emissora de tv brasileira SBT, na década de 1990, chegou a exibir o suicídio de uma adolescente em rede nacional, transmintindo-o através do seu telejornal Aqui Agora. Exemplos como esse, ainda que de algum tempo atrás, continuam acontecendo e são uma amostra legítima desse sensacionalismo intencional, com o objetivo de obter audiência e prestígio ainda que seja necessário abdicar dos princípios básicos sobre ética. Limites entre a informação e a exposição devem ser claramente estabelecidos, não se deve voltar a ter uma imprensa reprimida, como imposto por Getulio Vargas, no entanto devem existir medidas que separem o jornalismo popular dessa prática mal intencionada.
Portanto, deve-se considerar todos os aspectos expostos, e por isso cabe ao Governo Brasileiro, especificamente o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), através da Secretaria de Telecomunicações (SETEL), a elaboração de uma cartilha, como meio de amparo para a fiscalização de informações tendenciosas noticiadas, de modo a avaliar e punir, se necessário, empresas que priorizam o sensacionalismo ao invés de seu verdadeiro papel jornalístico, de informar com imparcialidade e ética. Dessa forma, é possível construir uma sociedade mais justa e comprometida com a verdade.