A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 03/06/2020

O filme americano ‘’O abutre’’, retrata a história de um homem que inicia no submundo do jornalismo informal e, para isso, busca por registros de tragédias humanas para vendê-las. Fora da ficção, é identificável a predominância de notícias ruins nos meios de comunicação de massa, bem como à notoriedade dada a elas pelos cidadãos. Tal fato é reflexo de uma sociedade baseada no sensacionalismo, resultando no prolongamento de concepções deturpadas e, sobretudo, na instabilidade emocional dos sujeitos.

É preciso perceber, inicialmente, que a banalização da morte e compartilhamento do sofrimento alheio são aspectos constituintes da bolha sociocultural que permeia os tempos caoticamente tecnológicos. Nesse sentido, percebe-se a valorização midiática em potencializar notícias ruins, aspecto que se encontra alicerçado à visibilidade oferecida ao jornalismo sensacionalista. Sob tal ótica, Guy Debord, filósofo britânico, em sua obra ‘’Sociedade do espetáculo’’, preconiza sobre a alienação da hipermodernidade, estruturada em exterioridade e banalização da dor. De fato, os moldes perversos se tornaram parte da cultura social que, conquanto avançada nas tecnologias, é retrógrada no que tange à empatia. Desse modo, é necessário engendrar meios capazes de superar a apatia vigente.

Cabe reconhecer, ainda, que o livro ‘’Os sofrimentos do jovem Werther’, do escritor Goethe, descreve a paixão não correspondida do protagonista por sua amada e, por isso, entra em um aniquilamento existencial, cometendo suicídio. À época, o tom realístico da obra impactou os indivíduos que, atraídos pelo ar passional e perturbador, puseram um fim em suas vidas. Nessa direção, análogo ao espírito depressivo de Werther, o negativismo do conteúdo noticioso reflete em uma visão pessimista da vida no meio social. Com isso, quando consumidas em excesso, as informações alarmistas desencadeiam reações emocionais, tais como a depressão e ansiedade. Pesquisas da OMS mostram um aumento de complicações psicológicas em todos os continentes, sobretudo no ano de 2019 e 2020. Dados como esses comprovam a relevância de filtrar o que é absorvido das redes midiáticas.

Compreende-se, dessa maneira, que o sensacionalismo jornalístico é um mal para a saúde mental. Portanto, o Ministério da Cidadania, em parceria com o da Educação, deve promover a importância do discernimento em relação à notícia. Tal ação pode ser realizada por vias educativas, tais como peças teatrais nas escolas, campanhas publicitárias, inserção temática nos filmes e novelas, bem como palestras sobre questões emocionais, com o intuito de amenizar comportamentos alienados na sociedade, bem como fortalecer a consciência coletiva. Assim, será possível que esse cenário deturpado, como a apresentado pelo filme ‘’O abutre’’, se tornem menos recorrente no Brasil.